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A ILHA DE MOÇAMBIQUE NOS FINAIS DO SECXVIII
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REVISITE A ILHA DE MOÇAMBIQUE CERCA DE 1790 PELA MÃO DO PROF. ADELTO GONÇALVES E PELA PENA
DE TOMÁS GONZAGA
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Da obra "Gonzaga, um poeta do Iluminismo"
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Terceira Parte Capítulo 10.
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10.
A guerra contra o xeque da Quitangonha não passou de algumas escaramuças. As poucas
vidas e os recursos perdidos não afetaram a economia da ilha nem atrapalharam muito os planos dos colonos
reinóis. No começo de 1795, o comércio da região estava decadência, mas por outras razões. A perseguição
a navios portugueses ou de outras nacionalidades por corsários franceses impedia que o comércio florescesse
como na década de 70, quando havia sido intenso o tráfico de ouro, marfim, âmbar, aljôfar, cristal, cobre,
ferro, salitre, tartaruga, pontas de abada, cavalos marinhos e escravatura(1). Além disso, os franceses
valiam-se da pouca proteção que as autoridades portuguesas podiam dar à costa oriental da África(2) e
iam comerciar diretamente com os régulos dos sertões. Iam também a Quíloa e Mombaça, em vez de freqüentar
as ilhas de Cabo Delgado, cujos moradores haviam florescido com o tráfico, "mas que hoje se acham mais
pobres que o das picadas dos Corvos(?)"(3). Muitas vezes, a ameaça não passava de boatos espalhados
pelos ingleses em papéis públicos de Bombaim que diziam da tomada de Moçambique e dos estabelecimentos
da ĺndia pelos franceses. Essas mentiras enfraqueciam o tráfego de navios, mas serviam para fazer subir
os seguros e prêmios de risco que os comerciantes portugueses faziam com banqueiros ingleses de Bombaim
e Surate(4). Como sempre, os comerciantes portugueses sofriam nas mãos dos usurários ingleses.
A ausência de navios nos portos de Moçambique levava ao debilitamento da economia local, como consta
de uma reivindicação dos despachantes da ilha ao governador dom Diogo de Sousa para que fosse reduzida
a alíquota de 10% que os comerciantes tinham de pagar de direitos alfandegários, "por se ter bem calculados
os preços das mercadorias"(5). Com a redução do comércio, caíam também as rendas régias que se baseavam
quase exclusivamente nos direitos aduaneiros. Os outros recebimentos do Estado consistiam nos "direitos
de chancelaria, meias sisas, foros e dízimos" que eram de pouco valor e não chegavam a décima parte das
despesas, como se queixava o ouvidor Siqueira. A maior parte do comércio da capital consistia na
exportação de mercadoria para Rios de Sena e Inhambane. Mas, com a decadência econômica, esse era agora
um comércio minguado, que deixava poucos recursos aos cofres reais. Só restava um comércio que a cada
dia se mostrava mais rendoso: a venda de carne humana. Aqueles que faziam o tráfico negreiro exibiam-se
cada vez mais prósperos, principalmente depois da abertura dos mercados do Rio de Janeiro e Montevidéu.
Mas com a corrupção que campeava na alfândega e o próprio governador Diogo de Sousa inebriado pelo lucro
fácil do tráfico negreiro, pouco ficava para os cofres da Coroa. Por isso, tornava-se difícil fazer qualquer
melhoramento na ilha ou mesmo nas fortalezas que a defendiam. Com o dinheiro que sobrava, dom Diogo preferia
reformar o Palácio de São Paulo, reduzindo os antigos repartimentos claustrais a acomodações próprias
da residência da primeira autoridade da capitania geral(6). Como sempre, os mais ricos tinham meios
de fugir ao pagamento de impostos e lesavam por todos os modos a Real Fazenda. Assim, como a arrecadação
pública ficava cada vez mais insuficiente para suprir as despesas do Estado, o Senado da Câmara, em sessão
realizada a 26 de abril de 1797, decidiu ratear o prejuízo e obrigar os habitantes com posses a um "empréstimo
voluntário" ao governo(7). Não foi uma decisão local porque o ato tinha autorização régia para que se
fizesse uma relação dos habitantes mais abastados, "tanto os de chapéu, como os de touca"(8), capazes
de contribuir com "um empréstimo gratuito e voluntário em dinheiro ou em gêneros dos que a fazenda costuma
fornecer-se"(9). Do "catálogo de pessoas cristãs e gentios que poderão contribuir para o empréstimo
gratuito à Fazenda Real", não constava o nome de Tomás Antônio Gonzaga(10). Mas o advogado já não era
o degredado de poucos recursos de cinco anos antes e teve de contribuir com 200 alqueires de farinha
de pau(11) e 20 arrobas de azeite de côco, quantidades estipuladas pela Junta da Real Fazenda(12).
Mesmo assim, nunca deixou de pensar no que deixara em Vila Rica. Por amigos, em 1796, mandara abrir
um processo de restituição da metade dos bens seqüestrados não absorvidos pelo confisco. O processo caiu
nas mãos de um velho conhecido, José Caetano César Manitti, ex-ouvidor de Sabará e ex-escrivão da devassa
da conjuração mineira, agora procurador da Coroa, além de intendente da Casa de Fundição e membro nato
da Junta da Real Fazenda. De Manitti, Gonzaga não teria maiores queixas: afinal, no resumo que
fizera da devassa de Minas Gerais e encaminhado ao visconde de Barbacena em 1790, o escrivão Manitti,
visivelmente, poupara o ex-ouvidor, minimizando a sua participação na conjuração(13). Ainda em
Vila Rica, Manitti continuava a viver de expedientes comuns à maioria dos altos funcionários régios:
extorquia, por exemplo, os comerciantes Macedo(14) e Manuel Teixeira de Queiroga(15), conhecidos devedores
fiscais. Além disso, morara de favor nas casas de Macedo e de José Pereira Marques, outro devedor fiscal(16).
Numa carta a Macedo dessa época, Manitti queixava-se de uma certa pessoa que não lhe pagara determinada
quantia como prometera e, agora, nem aparecia em sua casa(17). Talvez falasse de Diogo Pereira Ribeiro
de Vasconcelos, afilhado de casamento de Gonzaga, que o subornara em troca de umas adulterações nas primeiras
inquirições a respeito da projetada sublevação de 1789 ainda realizadas em Minas Gerais(18). Mal visto
pela população da capitania, Manitti não tinha boas lembranças da época da conjuração: talvez por isso
não se tenha sentido na obrigação de ajudar Gonzaga e requereu o desentranhamento da peça processual(19).
Pior para Gonzaga que, à época, não devia dispor de muitos recursos à mão porque, caso contrário,
poderia ter dado a sua contribuição à Real Fazenda em cruzados, a exemplo do que fizeram comerciantes
abastados como João da Silva Guedes, com seis mil cruzados "sem juros", e Elias José Pereira Ramos, com
"três mil cruzados em dinheiro e dois mil em farinha de pau sem ganhos". De qualquer modo, outro
grande comerciante, Antônio da Cruz e Almeida, havia contribuído com dez mil cruzados em mercadorias.Embora
seja impossível avaliar em cruzados o valor da contribuição de Gonzaga, pode-se deduzir que seria um
proprietário médio, com posses acima de servidores de segundo escalão, como os escrivães Tomás Antônio
Mesquita, que contribuiu com 300 cruzados, e Benjamin Ferrão, com 200. Os dois funcionários eram goeses.
Já o carioca Eleutério José Delfim, por essa época, quem sabe, atribuísse a sua discreta participação
na conjuração mineira a um desatino da juventude e começava a se tornar um dos mais importantes súditos
da monarquia na colônia: era proprietário de uma machamba num lugar distante chamado Apaga Fogo, em frente
ao Mossuril, e contribuía "voluntariamente" com mil cruzados em farinha(20). No total, 30 comerciantes
reinóis e 17 banianes tiveram de dar a sua contribuição para tirar o Estado da insolvência. Essa,
porém, não foi a única contribuição "voluntária" que as principais pessoas da ilha tiveram de fazer em
1797. No começo de junho, o governador determinava que todos os moradores fornecessem gratuitamente aos
celeiros reais um quinto do arroz, feijão, milho e mandioca que aportassem à ilha para o gasto particular
e um terço do que viesse para a venda pública. A transferência deveria ser feita tão logo as embarcações
atracassem, avisando-se imediatamente o almoxarife "sob pena de procedimento em benefício dos denunciantes"(21).
Dias antes, o governador dom Diogo de Sousa convocara novamente os comerciantes para que ajudassem
o governo a se preparar para "repelir quaisquer hostilidades ou insultos por parte dos franceses assim
nesta capital como nas terras e portos dependentes deste governo". Afinal, desde 1� de setembro de 1793,
dom Diogo tinha ordens da Corte para tomar todas as cautelas e fazer os possíveis preparos para repelir
ataques dos franceses(22). O Senado da Câmara, então, estabeleceu o número com que cada morador
da ilha e das Terras Firmes, cristão, mouro ou gentio, deveria contribuir para a formação de uma tropa.
Gonzaga, por exemplo, deveria doar cinco escravos(23), quantidade igual à contribuição determinada a
Eleutério José Delfim. Sua sogra, dona Ana, "viúva de Alexandre Roberto Mascarenhas", deveria contribuir
com seis(24). Como a contribuição era proporcional ao número de escravos e poder econômico de que
dispunha cada morador, dona Ana podia ser considerada mais próspera que o genro. A valer-se por esse
critério, os proprietários mais abastados da ilha seriam João da Silva Guedes(25), Carlos José Guezzi,
José Antônio de Araújo e Lima, Antônio Teixeira Tigre, José da Costa Xavier e Duarte Aurélio de Meneses,
todos com uma contribuição de 10 escravos cada; Joaquim do Rosário Monteiro e Luís Xavier do Rosário,
seu filho, Domingos Bento Guerreiro, José Ferreira Nobre, com oito cada; e Antônio da Cruz e Almeida,
com sete(26). O número alto de escravos não significava necessariamente que o proprietário fosse
negreiro. Desses, apareceriam, com freqüência, entre os grandes armadores e comerciantes de escravos
entre o final do século e a primeira década do oitocentos, Joaquim do Rosário Monteiro, expoente dos
armadores-negreiros moçambicanos(27), João da Silva Guedes, Carlos José Guezzi, Antônio da Cruz e Almeida
e Eleutério José Delfim. Possuíam extensa cafraria, na maior parte, destinada ao tráfico. Os demais,
como Gonzaga e sua sogra, tinham escravos para o trabalho nas culturas e serviços domésticos. No
total, deveriam ser doados ao governo 555 escravos, mas, em 7 de junho de 1797, dom Diogo ameaçava tomar
medidas mais duras e abandonar o plano de defesa que havia projetado por causa da indiferença dos moradores
em socorrer o Estado. O governador reclamava que, apesar dos seus "repetidos avisos", só havia sido possível
reunir "cento e poucos cafres para o serviço de todas as bateriais"(28). Com esse número de homens,dom
Diogo entendia que só poderia concentrar a defesa na fortaleza de São Sebastião da Barra, deixando as
praias totalmente vulneráveis. Nesse caso, se houvesse a invasão, os moradores ficariam sujeitos aos
franceses, sem maior resistência. Tudo isso ainda era discutido numa altura em que, segundo o governador,
corsários franceses já haviam tomado quatro embarcações portuguesas. E, no porto, estava atracado o navio
americano Christiana, vindo de Boston, cujo comandante, Thomas Bell Stevens, trouxera a notícia de que
França e Portugal estavam mesmo em guerra(29). O Senado da Câmara, então, decidiu reunir os moradores
principais da vila e submeter a sua apreciação os planos do governador. Os habitantes aceitaram ceder
os 555 cafres determinados pelo Senado da Câmara, mas, ao mesmo tempo, no caso de invasão, queriam ficar
refugiados na fortaleza, participando da defesa. Foi o que ficou decidido. A invasão francesa,
pelo menos na ilha, não se deu. Um mês e pouco depois, dom Diogo passaria o cargo para Francisco Guedes
de Carvalho de Meneses da Costa, que tomou posse no dia 27 de agosto de 1797(30), durante solenidade
rápida no Palácio de São Paulo, em meio a um clima de medo diante da iminência de um insulto por parte
dos franceses(31). Logo, porém, Francisco Guedes mostraria muita habilidade política e conseguiria
manter a paz com a ilha de França e a de Reunião, em nome dos negócios e da prosperidade de ambas as
economias(32), enquanto ferviam na Europa as chamadas guerras napoleônicas(33). Ao mesmo tempo,
atendendo a uma recomendação secreta da Corte, novo governador de Rios de Sena, o paulista Francisco
José de Lacerda e Almeida, que se havia notabilizado por grandes trabalhos de exploração dos sertões
brasileiros, dava início a uma expedição que tinha por objetivo atravessar a África, saindo da costa
oriental até o lado ocidental, em Angola. Era uma velha aspiração da monarquia. Lacerda, porém,
fracassaria. E morreria no dia 17 de setembro de 1798 no Zimbo(34), uma das povoações do Cazembe, já
em águas do rio Congo, em Angola(35). Sua expedição passaria, então, a ser liderada pelo padre capelão
Francisco João Pinto, que não conseguiria ir além do Cazembe, porque andava o régulo local em guerra
com outros. O padre retornaria a Tete, onde chegou em novembro de 1799(36), trazendo o cadáver do governador.
Nunca alcançaria o outro lado. Lacerda deixaria um diário de viagem(37). Não seriam só esses acontecimentos
que levariam intranqüilidade ao coração de Gonzaga naqueles anos de fim de século. A situação dos bens
e objetos que deixara no Brasil o preocupava. No começo de 1796, Tomás Correia Porto, negociante da rua
da Alfândega, no Rio de Janeiro, obteve sentença favorável na ação em que pedira de volta a quantia que
lhe era devida por Gonzaga(38). Os juízes haviam determinado que metade da dívida fosse retirada
dos bens confiscados e a outra metade dos bens que haviam ficado com Gonzaga. O montante chegava a 808$517
réis, cabendo devolver a Gonzaga 404$258, sendo 161$308 em dinheiro do existente nos cofres reais, e
o restante em espécie. Com a sentença favorável, Correia Porto pedia ao juiz da Coroa em Vila Rica que
determinasse a partilha dos bens do desterrado(39). Em defesa de seus próprios interesses, Correia
Porto constatou que os bens deixados pelo ex-ouvidor confiados a Manuel José da Costa Mourão, na qualidade
de depositário judicial, não estavam sendo bem cuidados. Em 28 de abril de 1795, o negociante acusou
Mourão de depositário infiel e requereu os bens a que teria direito. Mourão só foi citado em 14 de setembro(40).
Alertado por amigos, Gonzaga decidiu nomear, de Moçambique, um procurador para pedir ao ouvidor de
Vila Rica a prisão do depositário infiel e a devolução dos objetos furtados. Obteve êxito, ao alcançar
o mandado que obrigava o mal agradecido Mourão a devolver os bens que faltavam. Talvez a distância
o impedisse de movimentar o processo com maior rapidez. Em 16 de abril de 1796, Mourão foi novamente
citado e, desta vez, ameaçado de prisão(41). Antes disso, porém, os bens de Gonzaga foram a leilão em
praça pública várias vezes. O último leilão deu-se em 15 de janeiro de 1796(42). A preocupação
com o que deixara no Brasil levou Gonzaga em 13 de novembro de 1796 a passar nova procuração a Tomás
Correia Porto e a Manuel Antônio de Magalhães e ao padre Egídio Pomerane para tentar reaver do fisco
e de particulares, no Rio de Janeiro ou em qualquer parte da América portuguesa, tudo o que lhe pertencesse,
dando quitação a quem de direito(43). A procuração foi subestabelecida em 29 de março de 1797 por
Magalhães, ex-quartel-mestre do regimento da cavalaria regular de Minas Gerais, ao alferes José de Sousa
Brandão e a Gregório Pereira Soares de Albergaria, moradores em Vila Rica. Foi o alferes Brandão, porém,
quem tratou de tudo e, inclusive, cobriu as despesas feitas pela Fazenda Real(44), além de pagar a Antônio
de Abreu a quantia de quatro mil réis "dos bens de Gonzaga"(45). Albergaria, o mesmo "vil Alberga" que
Gonzaga atacara violentamente nas Cartas Chilenas, talvez não tivesse o menor ânimo para defender os
interesses do inconfidente(46). Entre outras providências, Brandão iria recuperar os sacos largados,
havia anos, na Casa do Ouvidor, na rua Direita de Antônio Dias, que guardariam versos de amor e documentos
inócuos(47). Em fins de 1797 ou começo de 1798, Gonzaga, nas casas da rua do largo da Saúde, ao embalo
das ondas que morriam à beira da ilha de Moçambique, iria reler com saudade papéis esquecidos. Dos velhos
papéis, deve ter selecionado algumas poesias que iria incluir na terceira parte de Marília de Dirceu.
Em meio a essas amenas preocupações, a monção de 1798 traria para Gonzaga uma notícia desagradável:
no ano anterior, em Lisboa, havia morrido na provecta idade de 87 anos o desembargador João Bernardo
Gonzaga, o velho pai que o poeta evocara na lira em que narra o seu retorno a Portugal:
Agora,
agora sim, agora espero renovar da amizade antigos laços. Eu vejo ao velho pai, que lentamente
arrasta a mim os passos. Ah! como vem contente! De longe, mal se avista, já
vem abrindo os braços(48).
Numa ode que apareceu pela primeira vez na terceira parte de
Marília de Dirceu na edição de 1812, Gonzaga refere-se ao seu "corpo já enfermo" e ao pai morto. Acredita-se,
por isso, que essa seja uma produção do exílio africano, provavelmente dos últimos anos do século:
Já vou tocando, ó Lício, de lustros dez o fatigado termo; e já meu corpo enfermo
se avizinha da morte ao duro ofício; que cedo o meu destino me promete calcar as sombras
do medonho Lete! (...) (...) É este, ó Lício, é este, sem dúvida o país belo e sereno,
aonde a paz celeste não respira da inveja o atroz veneno, e aonde, livres da infeliz
mudança, descansa o teu e o meu bom pai descansa(49).
1 AHU, Moçambique, caixa 75, doc.
67, 29/9/1796. 2 AHU, Moçambique, códice 1348, fl. 48, 24/3/1793, carta em que o governador dom Diogo
de Sousa diz à Corte que na ilha não há mais de 300 soldados. 3 AHU, Moçambique, caixa 76, doc. 5,
7/10/1796, carta de dom Diogo de Sousa ao secretário de Estado Luís Pinto de Sousa. 4 AHU, Moçambique,
caixa 75, doc. 42, 25/1/1794. 5 AHU, Moçambique, caixa 75, doc. 61, 26/9/1796. 6 J.V. Gama, Almanaque
civil eclesiástico histórico-administrativo da província de Moçambique para o ano de 1859, 3� depois
do bissexto, 1859, p. 103. 7 AHU, Moçambique, caixa 77, doc. 69, 26/4/1797; e códice 1353, fl. 171v.,
19/4/1797. 8 No português falado em Moçambique no século XVIII, os homens de chapéu eram os comerciantes
brancos, procedentes do Reino, e os de touca, os banianes, oriundos da ĺndia portuguesa. 9 AHU, Moçambique,
códice 1353, fl.171, 19/4/1797. 10 AHU, Moçambique, códice 1353, fls. 172-172v., 22/4/1797. 11
Farinha de pau: espécie de farinha que se obtém pela pulverização e exsicação da raiz da mandioca. 12
AHU, Moçambique, caixa 77, doc. 69, 19/4/1797. 13 ADIM, 2� ed., vol. 8, p. 258. 14 BNRJ, seção
de manuscritos, CC, doc. 95, 24/9/1797; e ABNRJ, vol. 65, 1943, pp. 220-221. 15 ADIM, 2� ed., vol.
9, pp. 314-315. 16 Idem, ibidem. 17 Idem, ibidem, p. 312. 18 Tarquínio J.B. de Oliveira, Ensaios
da Casa dos Contos, pp. 109-110. Denunciado ao visconde de Barbacena pelo tenente-coronel Freire de Andrada
como tendo recebido o aviso de um embuçado sobre a iminente prisão de alguns inconfidentes e passado
a informação a Gonzaga, Diogo chegou a ser preso, mas seria libertado logo depois. No dia 11 de janeiro
de 1790, Manitti ouviu algumas testemunhas arranjadas que disseram ter o fato ocorrido depois da prisão
de Gonzaga. O caso foi arquivado. 19 Idem, ibidem, pp. 117-118. 20 AHU, Moçambique, caixa 77,
doc. 69, 19/4/1797. 21 AHU, Moçambique, caixa 78, doc. 1, 1/6/1797. 22 AHU, Moçambique, códice
1353, fls. 172-173, 29/5/1797. 23 AHU, Moçambique, códice 1353, fl. 174, 2/6/1797. 24 AHU, Moçambique,
códice 1353, fl. 176, 2/6/1797. 25 AHU, Moçambique, códice 1365, fls. 1-2, 30/11/1797. Guedes dispunha
de 400 escravos à época. 26 AHU, códice 1353, fls. 173-176, 2/6/1797. 27 José Capela, O escravismo
colonial em Moçambique, p. 169. 28 AHU, Moçambique, códice 1353, fl.178, 7/6/1797. 29 AHU, Moçambique,
caixa 79, doc. 40, 4/6/1797. 30 AHU, Moçambique, caixa 78, doc. 59, 27/8/1797. 31 AHU, Moçambique,
caixa 78, doc.71, 14/7/1797. 32 AHU, Conselho Ultramarino, códice 74, 27/8/1804. Em anotação, o governador
Francisco Guedes reconheceu ter permitido a entrada de navios franceses na ilha de Moçambique "sob disfarce
e simulação" durante a guerra com a França. Segundo o Conselho Ultramarino, o príncipe regente aprovou
a conduta de Guedes e sugeriu ainda que o seu sucessor, Isidro Sá, adotasse posição idêntica em relação
aos navios franceses. 33 Paul Mazery, "Mozambique and the napoleonic wars", Lisboa, Stvdia, vol. 37,
dez.1973. 34 AHU, Moçambique, caixa 81, doc. 30, 13/3/1799. 35 M. Simões Alberto, O Oriente africano
português, 1942, pp. 88-89.. 36 AHU, Moçambique, caixa 81, doc. 20, 21/11/1799. 37 AHU, Moçambique,
caixa 81, doc. 34, 18/6/1798. O diário tem 67 páginas e já foi publicado no Brasil (Francisco José de
Lacerda e Almeida, Diários de viagem, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1944). 38 BNRJ, seção de
manuscritos, 59:281; ADIM, 2� ed., vol. 9, p. 229; e IHGB, lata 101, doc. 4, fl. 51; 39 BNRJ, seção
de manuscritos, 59:281. 40 IHGB, lata 101, doc. 4, fl. 50-50v. 41 IHGB, lata 101, doc. 4, fl.
60. 42 IHGB, lata 101, doc. 4, fls. 43 e ss. 43 BNRJ, seção de manuscritos, ACC, doc. 127, 23/11/1796;
e ABNRJ, vol.65, doc. 127, 1943, pp. 292-293. 44 IHGB, lata 101, doc. 4, fl. 89, 26/4/1797. Quem recebeu
o pagamento foi o então coronel Afonso Dias Pereira, tesoureiro-geral da capitania, antigo colega de
Gonzaga na Junta da Real Fazenda. 45 IHGB, lata 101, doc. 4, fl. 90, 22/4/1797. 46 ADIM, 2� ed.,
vol. 9, p. 229, nota de Tarquínio J.B. de Oliveira. 47 O processo sobre os bens de Gonzaga seqüestrados
pelo fisco continuaria a rolar na justiça. Em 23/4/1805, Lucas Antônio Monteiro de Barros, juiz dos feitos
do contencioso da Real Fazenda, determinou aos oficiais de seu juízo que notificassem o capitão Marcos
José Rabelo, testamenteiro de João Gilberto Pereira, depositário dos bens de Tomás Antônio Gonzaga que
ainda não haviam sido arrecadados, para apresentar-se e prestar contas. Em 87/7/1805, os oficiais notificaram
o capitão Marcos José Rebelo (IHGB, lata 101, doc. 4, fl. 90). 48 Tomás Antônio Gonzaga, Marília de
Dirceu e mais poesias, 1982, p. 181. 49 Idem, ibidem, pp. 206-210.
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