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A ILHA DE MOÇAMBIQUE NOS FINAIS DO SECXVIII
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REVISITE A ILHA DE MOÇAMBIQUE CERCA DE 1790 PELA MÃO DO PROF. ADELTO GONÇALVES E PELA PENA
DE TOMÁS GONZAGA
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Da obra "Gonzaga, um poeta do Iluminismo"
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Terceira Parte Capítulo 6.
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6. Dois meses depois de chegar à ilha de Moçambique, Tomás Antônio Gonzaga já estava
adaptado à nova vida. Além do sentimento corporativista entre os ouvidores, contribuiria muito para que
as dificuldades fossem superadas a sua condição de maçom. Os comerciantes e os altos funcionários da
administração eram quase todos pedreiros-livres, mas, se alguma loja funcionasse na ilha, seria de forma
clandestina. João da Silva Guedes, por quem Gonzaga se apegou por amizade e conveniências pessoais,
era também maçom em razão de suas ligações com os franceses das Maurícias. Guedes logo deu-se bem com
o novo governador, dom Diogo de Sousa Coutinho, outro maçom, que o nomeou capitão-mor das ordenanças(1).
A condição de maçom, no entanto, não significava um salvo-conduto: havia maçons que seguiam a tradição
escocesa e não compactuavam com os maçons de rito francês. Além disso, muitas vezes, a ambição e os interesses
particulares tornavam-se muito superiores à fraternidade defendida pelos ideais maçônicos. Eram comuns
desavenças entre irmãos que levavam a duras perseguições e até à morte. De qualquer modo, as idéias
da liberdade e da igualdade, que a Corte tanto queria barrar, já haviam penetrado na ilha um pouco antes
da revolução francesa e trabalhavam os corações e as mentes dos súditos portugueses. Os barcos que transportavam
os escravos levavam também as idéias revolucionárias. Tanto que se deu, por essa época, a filiação da
primeira loja maçônica brasileira ao Oriente da ilha de França(2). Outro maçom conhecido era o
novo ouvidor, Tavares de Siqueira(3), de quem Gonzaga também ficou amigo. Antes do final de 1793, chegaria
à ilha um jovem também ligado à maçonaria e, de certo modo, à sublevação de Minas Gerais, mas de cuja
participação as autoridades nunca desconfiariam. Tinha o nome de Eleutério José Delfim e era filho de
Antônio Delfim Silva(4), um abastado comerciante do Rio de Janeiro. Gonzaga nunca tinha visto em
sua Eleutério José Delfim. Mas sabia de sua participação na conjuração mineira, desde quando José Álvares
Maciel, ao retornar da Europa em 1788, confidenciara-lhe os contatos que haviam sido mantidos com comerciantes
de Bordéus e com o embaixador Thomas Jefferson, da América Setentrional. Eleutério José Delfim
tinha 23 anos quando desembarcou na ilha de Moçambique, procedente de Goa, onde sentara praça em 1792(5).
Tinha sido um dos jovens brasileiros que estudaram em Montpellier ao tempo em que lá andava José Joaquim
da Maia e Barbalho. Delfim tinha apenas 17 anos quando chegou a Montpellier no ano de 1786, acompanhado
por outro brasileiro, Joaquim José de Sousa Ribeiro, que havia de se doutorar. Matriculou-se no dia 13
de outubro, mas não há notícias posteriores de sua presença na universidade(6). Teria sido Delfim
quem levara a credencial remetida do Rio de Janeiro por comerciantes ligados à maçonaria para José Joaquim
da Maia e Barbalho que, dias depois, procuraria o ex-ministro da América inglesa(7), Thomas Jefferson.
O pai de Delfim, Antônio Delfim Silva, era amigo do pai de Maia, José da Maia Brito, mestre pedreiro
e empreiteiro de obras públicas, morador na rua da Ajuda(8), ao pé da Lapa, no Rio de Janeiro.
Os dois estudantes tinham como ponto de apoio um correspondente no Porto do negociante Caria Neto, que
morava na rua Direita, em frente ao Carmo, no Rio de Janeiro(9). Caria Neto passava a cada um dos estudantes
125 mil réis por ano, quantia suficiente opara uma vida modesta. Essa quantia era igual à que recebiam
outros estudantes brasileiros como José Álvares Maciel, Domingos Vidal de Barbosa e José Mariano Leal.
Devidamente credenciados pela maçonaria, não foi difícil a Maia aproximar-se do embaixador. Ficava
claro que Maia era o enviado de seus compatriotas para discutir um possível apoio da nova nação americana
à luta pela independência do Brasil. Escreveu uma carta e assinou-se Vendek, que, por coincidência (ou
não), seria o nome de um comerciante francês estabelecido no Rio de Janeiro na mesma época. Talvez
essa alcunha tivesse algum significado especial para a maçonaria francesa. A carta, com a data de 2 de
outubro, teve como intermediário o professor José Joaquim Maria Vigarous, da Universidade de Montpellier,
membro proeminente da maçonaria local e de lojas em Paris(10), cujo filho era companheiro de aulas de
Maia. Ao Grande Oriente de Paris, as autoridades portuguesas sempre atribuíram a responsabilidade pelos
"primeiros traços da independência dos Estados Unidos da América"(11). Longe de haver desinteresse
de Jefferson por Vendek, foi o contrário o que se deu. Jefferson quis até mesmo ir a Montpellier, mas
encontrou a oposição de Maia, que sabia que o intendente de polícia do Reino de Portugal, Pina Manique,
mantinha os seus esbirros, os chamados moscas, na universidade para espionar os estudantes acusados de
maçônicos e jacobinos. Maia e Jefferson encontraram-se, por fim, nas ruínas de Nimes, ao Sul da
França. O relatório que, mais tarde, Jefferson encaminharia a John Jay, secretário de Estado da América
inglesa, na Filadélfia, manifestaria muita simpatia por Maia e os seus planos. É certo que o inconfidente
Domingos Vidal de Barbosa, por ocasião da devassa sobre a sublevação de 1789, disse que Maia lhe havia
contado que Jefferson teria "julgado pouco dele pela casca", porque estaria mal vestido, e que o desprezara.
Mas a observação de Barbosa deve ter sido feita com o objetivo de atribuir pouca importância ao encontro(12).
Pode ter sido coincidência, mas há muita coerência entre os conselhos dados por Jefferson a Maia e os
planos dos inconfidentes de Minas Gerais(13). O que se sabe é que Maia e Maciel se encontraram
em Portugal no começo de 1788, quando, então, o já doutor Maia passou ao companheiro os conselhos de
Jefferson para a rebelião brasileira. Maciel viajou para o Brasil e, provavelmente em agosto, transmitiu
a mensagem de Jefferson a companheiros do Rio de Janeiro e ao alferes Tiradentes e ao padre Rolim. Em
seguida, Tiradentes transmitiria a mensagem ao coronel José Aires Gomes, na Borda do Campo. Maia
não era o estudante obscuro que alguns historiadores quiseram mostrar. Tampouco seria o pobretão cujas
vestes teriam levado Jefferson a imaginar um homem de pouca importância para tratar de uma assunto tão
relevante como a independência da grande colônia portuguesa na América. Não seria também apenas um estudante
intrépido que tivera a ousadia de se dirigir a um ministro da então nascente América inglesa, movido
só pelo entusiasmo das idéias republicanas. Naquela época, Maia era um homem de 29 anos(14): já
havia cursado Coimbra e estava no último ano da faculdade de Medicina de Montpellier. Em menos de dois
anos conquistaria a licenciatura, defenderia tese e alcançaria o doutorado em 10 de maio de 1787(15).
Mas nunca retornaria ao Brasil. Atacado por pneumonia, depois do encontro com Maciel, provavelmente em
Coimbra, morreu entre fins de fevereiro e início de março de 1788, em Portugal(16). Maciel retornou
ao Brasil formado em mineralogia pela faculdade de Birmingham, na Inglaterra. Mariano Leal, que acompanhara
os entendimentos de Maia com Jefferson, permaneceu em Montepellier até doutorar-se em 21 de agosto de
1790. Já Domingos Vidal de Barbosa, que pode ter até participado do segundo encontro de Maia com Jefferson,
agora em Bordéus, onde estudava, retornou ao Rio de Janeiro em setembro de 1788. Os historiadores
nunca souberam que fim teria levado Delfim depois de sua carta passagem por Montpellier. Havia desaparecido
na história. Talvez tivesse cursado outra faculdade, quem sabe a de Bordéus, como Domingos Vidal de Barbosa.
O provável é que, prudentemente, depois de abortada a conjuração de Minas, nunca mais tenha voltado ao
Brasil. O que fez Delfim de 1786 a 1792, quando sentou praça voluntariamente na Casa da ĺndia,
em Goa(17), é ainda um mistério que talvez persista por muitos anos. Se tivesse sido formado por qualquer
universidade francesa, é certo que não teria sentado praça em Goa. Era filho de gente de dinheiro no
Rio de Janeiro e, afinal, dele nunca as autoridades levantariam a menor suspeita. Quando chegou
à ilha de Moçambique, Eleutério José Delfim carregava outras credenciais que o levaram a ser bem recebido
pela elite negreira da capitania, principalmente pelos brasileiros que já haviam estabelecido casas comerciais
na ilha de Moçambique(18). Além disso, vários negociantes do Rio de Janeiro, àquela altura, já mantinham
relações com os comerciantes de Moçambique, embora não tivesse tido início ainda o tráfico de escravos
em larga escala. Desde a primeira metade do século XVIII, o tráfico de escravos era controlado pelo capital
mercantil carioca(19). Em 1769, havia sido decretada completa liberdade de comércio para os navios
brasileiros em portos de Moçambique e, desde então, passaram a freqüentar "a negociação de Moçambique
mercadores da Bahia e Rio de Janeiro, estabelecendo ali casas de negócio e delas expedindo navios para
as ilhas dos franceses com carga de escravatura e para os portos da ĺndia com marfim, ouro e búzio..."(20)
Delfim, talvez movido por espírito aventureiro, chegou à ilha de Moçambique e sentou praça voluntariamente
na companhia de artilharia em 21 de abril de 1793. A 5 de dezembro daquele ano, já havia passado para
o primeiro batalhão do regimento, um comando de elite. Doze dias depois, obteve o posto de alferes(21).
Em 30 de outubro de 1794, foi proposto pelo governador dom Diogo de Sousa Coutinho para ocupar a vaga
de tenente da 7� companhia, por morte de Cesário Mendes, destacado em Cabo das Correntes. Três
anos depois, receberia carta-patente de "tenente-coronel do terço da infantaria auxiliar desta capital,
vago no ano de 1793 por falecimento de Alexandre Roberto Mascarenhas"(22), o sogro de Gonzaga. Uma carreira
excepcionalmente rápida que só pode ser explicada pelas amizades importantes de que logo começou a desfrutar
na ilha. Amizades que nasceriam de olho na perspectiva de negócios com o influente pai de Delfim no Rio
de Janeiro. Coincidentemente, é a partir da chegada de Tomás Antônio Gonzaga e, meses depois, de
Eleutério José Delfim à ilha que tem início em larga escala o comércio negreiro entre Moçambique e o
Rio de Janeiro(23). No caso do poeta, nada há que lhe possa atribuir ligações diretas com o tráfico negreiro,
exceto o trabalho que como advogado desenvolveu em favor dos traficantes. Mas Eleutério José Delfim,
em poucos anos, seria um dos grandes comerciantes negreiros da ilha. Seus navios atravessariam o Atlântico
com escala no Rio de Janeiro e Montevidéu, levando negros para a lavoura e para as tarefas domésticas.
É verdade que, desde 1783, a venda de escravos começara a se desenvolver em Moçambique, ganhando grande
incremento a partir de 1787(24). Mas é de 1794 que consta o primeiro despacho de um navio negreiro de
Moçambique para o Brasil, dando início a uma movimentação sistematizada que só teria fim em 1830(25).
O tráfico já existia, antes mesmo da chegada dos portugueses, introduzido que fora pelos mouros. Mas
é a partir de 1793 que os comerciantes passam a gozar a liberdade de exportar escravos pelo porto de
Quelimane(26). Até então, os lucros vinham sobretudo do comércio de marfim(27), principalmente porque
os negociantes reinóis e banianes enfrentavam uma forte resistência dos comerciantes franceses, que eram
os senhores do negócio de escravos em Moçambique para as suas ilhas do ĺndico. O início do tráfico
em larga escala coincide sobretudo com a chegada do novo governador e capitão-general de Moçambique,
Rio de Sena e Sofala, dom Diogo de Sousa Coutinho, futuro conde de Rio Pardo, que já fora acusado de
maçom em Portugal(28). Era filho de um oficial do regimento de Valença, o coronel João de Sousa, e havio
sido aluno em Coimbra de José Anastácio da Cunha, conhecido propagador das idéias maçônicas(29). Dom
Diogo tomou posse do governo, em substituição a Melo e Castro, a 19 de março de 1793(30). Logo
seria acusado de inescrupuloso negociante de escravos e de usar como preposto o ex-secretário do governo
Manuel Galvão da Silva, advogado e cientista(31). Seria também sócio do comerciante goês Joaquim do Rosário
Monteiro, o maior armador de navios de Moçambique e grande comerciante negreiro ao final do século. Com
a administração de dom Diogo, o tráfico negreiro passou a constituir a principal fonte de riqueza de
moradores, funcionários régios e chefes africanos(32). Estimulados pelo exemplo do governador e capitão-general,
os demais governadores também passaram a fazer o negócio por sua conta.
1 AHU, Moçambique,
caixa 139, doc.51, dez.1811. 2 Anais Maçônicos Fluminenses, Rio de Janeiro, 1832, citado por José
Capela, O escravismo colonial em Moçambique, 1993, p. 197. 3 M. Rodrigues Lapa, prefácio para Obras
Completas de Tomás Antônio Gonzaga, p. XXXVII. 4 AHU, Moçambique, caixa 122, doc. 8, 6/1/1808. Deste
documento, constam dados pessoas de Eleutério José Delfim. Tinha 5x5 polegadas de altura, cabelos castanhos
e olhos pardos. 5 AHU, Moçambique, caixa 122, doc. 8, 6/1/1808. No códice 1348 do AHU, fl. 49, 24/3/1793,
consta que Delfim era soldado do Estado da ĺndia, que, voluntariamente, decidira ficar na ilha. 6
Tarquínio J.B. de Oliveira, "Secretismo e Inconfidência", RIHGB, Rio de Janeiro, vol. 324, jul.-set.1979,
pp. 351-352. 7 A república dos Estados Unidos da América Setentrional, reconhecida pela Inglaterra
em 1782 e por Portugal em 1783, continuou a ser conhecida como América inglesa ainda por muitos anos.
8 A rua da Ajuda, no Rio de Janeiro, ficava na altura em que existiu o Palácio Monroe, nas proximidades
da Lapa. 9 ANRJ, códice 5, vol. 2, fl. 45-45v. 10 Tarquínio J.B. de Oliveira, op. cit., p. 352;
e nota em ADIM, 2� ed., vol. 2, p. 91. 11 IHGB, lata 21, doc. 2, fl. 45, 14/4/1803, nota à margem
com o n� 6 no relatório de José Anastácio Lopes Cardoso, secretário de polícia, para o intendente-geral
de polícia, em Lisboa. 12 ADIM, 2� ed., vol. 2, p. 94. 13 IHGB, lata 21, doc. 2, fl. 31. Trecho
do relatório do secretário Pedro Inácio de Gouveia da Silva Homem ao intendente de Polícia da Corte e
Reino, Pina Manique, em 23/7/1803: "(...) É certo que todas a sublevações que nestes últimos tempos têm
havido na Europa, na América Setentrional e em Marrocos foram traçadas nas grandes lojas (maçônicas)
da mesma América e nas de Paris e Londres". 14 Maia nasceu em 29/5/1757 e foi batizado na matriz
de São João Batista, no Rio de Janeiro (APM, CI, doc. 1.22). 15 Tarquínio J.B. de Oliveira, op. cit.,
p. 352. 16 ADIM, 2� ed., vol. 2, p. 92. 17 AHU, Moçambique, caixa 69, doc. 28, 30/10/1794. 18
Fritz Hoppe, A África Oriental Portuguesa no tempo do marquês de Pombal, p. 228. Em 1763, estabeleceu-se
na ilha de Moçambique Antônio Lopes da Costa & Cia., com a chamada Casa do Rio de Janeiro. Até o fim
do século XVIII, várias casas comerciais brasileiras se estabeleceram na ilha de Moçambique e em Quelimane
para a exportação de mercadorias e, principalmente, de escravos. 19 Manolo Garcia Florentino, Em Costas
Negras: uma história do tráfico atlântico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro (séculos XVIII
e XIX), ANRJ, 1995, p. 226. 20 Luís Antônio Figueiredo, "Notícia do continente de Moçambique e abreviada
relação do seu comércio (1773)", Fontes para a História, Geografia e Comércio de Moçambique, Anais
da Junta de Investigações do Ultramar, vol. 1, 1954, p. 254. (Original no ANTT, Ministério do Reino,
caixa 706, maço 604). 21 AHU, Moçambique, caixa 68, doc.42, 15/8/1794. Da relação feita pelo sargento-mor
e comandante Antônio José Teixeira Tigre, consta que Delfim servia fazia um ano, dois meses e sete dias
"sem nota", ou seja, com bom comportamento. 22 AHU, Moçambique, caixa 122, doc. 8, 6/1/1808. 23
José Capela, op. cit., p. 134. As relações entre a África Oriental e o Brasil remontam aos tempos dos
navios portugueses da carreira da ĺndia e tornaram-se mais estreitas em meados do século XVII. Ver também
Aurélio Rocha, "Contribuições para o estudo das relações entre Moçambique e o Brasil - século XIX", Stvdia,
Lisboa, n� 51, 1992, pp. 61-118. 24 Alexandre Lobato, História do presídio de Lourenço Marques (1787-1799),
pp. 356-358. O autor calcula em 31.644 escravos com trânsito pela alfândega de Moçambique entre 1789
e 1795. Esse cálculo, como é óbvio, não leva em conta o contrabando. Já Correia Lopes avalia a exportação
de escravos de Moçambique, entre 1780 e 1800, em cerca de dez mil por ano. A partir de 1800, o número
cresceria para 15 mil e depois 25 mil por ano, até começar a descer por volta de 1850 (Pedro Ramos de
Almeida, História do colonialismo português em África, vol.2, p. 8). 25 José Capela, op. cit., p.
134. 26 Quelimane era, em 1789, um povoado de "dois ou três irregulares arruamentos" com "casas de
madeira, cobertas de telha que ali se fabrica, algumas palhotas, ao modo cafrial, uma feitoria, Casa
da Câmara e uma igreja (BPMP, códice 588). Era a entrada para Rios de Sena, de onde provinha o grosso
dos escravos exportados pela ilha de Moçambique. 27 Gerhard Liesegang, "A first look at the import
and export trade of Mozambique, 1800-1913", Figuring African Trade, n� 86, Berlim, 1983, p. 456. 28
Graça e J.S. da Silva Dias, Os primórdios da maçonaria em Portugal, pp. 197-203. Dom Diogo de Sousa pedira
a sua iniciação por volta de 1761 em Braga, conforme testemunho de Michael De Kinselach ao Santo Ofício
em 17/9/1778. De Kinselach, nascido em Bruxelas em 1721, foi um militar aventureiro a serviço do Reino
português. 29 ANTT, Inquisição de Coimbra, processo 8089, fl. 113. 30 AHU, Moçambique, caixa 64,
doc. 26, 19/3/1793. 31 AHU, Moçambique, caixa 68, doc. 72, 26/8/1794. Acusação de José Joaquim de
Araújo Aranha e Oliveira encaminhada ao príncipe regente, com provas abundantes da participação do governador
no tráfico negreiro. Aranha e Oliveira era o próprio secretário de governo de Moçambique, por nomeação
do príncipe regente em 23/8/1792 (AHU, Moçambique, caixa 63, doc.28, 23/8/1792). 32 Gerhard Liesegang,
op. cit., p. 454.
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