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������������������������� O MONOMOTAPA - SEGUNDO PER�ODO CHONA 1600-1700

 

Dividimos o segundo per�odo da Hist�ria de Mo�ambique em dois grupos, o primeiro per�odo que vai de 1325 at� 1600 e o segundo per�odo Chona ou Mambo que vai de 1600 a 1700.

Esta divis�o deve-se ao facto de que por volta de 1600 duas civiliza��es conti�nuaram a existir no territ�rio que tinha sido o do Imp�rio do Monomotapa. Vimos j� a divis�o em duas dinastias entre Monomotapa e Changamire e como v�rios reinos se tinham separado do Monomotapa, tais como os Quiteve, os B�ru�, os Butua e Manica, que se tinham libertado da tutela do Monomotapa.

Essas duas civiliza��es desenvolveram-se seguindo vias diferentes. O Monomo�tapa no Norte entre os rios Umfuli e Zambeze, e Changamire ao sul do rio Umfuli at� Limpopo.

O Monomotapa teve que lutar constantemente contra os portugueses que tinham penetrado pelo Zambeze at� Tete e dali at� Massapa. A preocupa��o constante de luta contra os portugueses impediu que a sua civiliza��o se desenvolvesse a tal ponto que veio a ser absorvida p�los Changamire.

Os Changamire no interior n�o sofreram tanto dos ataques dos portugueses e a sua civiliza��o progrediu tranquilamente e da qual temos hoje testemunhos nas ru�nas de Dlo-Dlo, Khami e Mapungubwe.

No reino de Manica desenvolveu-se tamb�m uma grande civiliza��o agr�cola e mineira pelo que nos podem relatar as ru�nas de Inyanga.

Vamos por isso estudar esta segunda etapa do segundo per�odo Chona, tamb�m chamado Mambo, porque este era o t�tulo que se dava ao Monomotapa. Mambo quer dizer rei em Chona. Veremos neste per�odo as rela��es do Monomotapa com os portugueses e o que se passou na dinastia de Changamire.

 

1.      O reino de Changamire

 

Em 1597 o Monomotapa era Gatsi Rusere, a quem davam o t�tulo de Mambo. Gatsi Rusere mantinha rela��es comerciais com os portugueses que tinham feitorias em Tete e Sena. Frequentavam tamb�m tr�s feiras no territ�rio mesmo do Monomotapa. As tr�s feiras eram Massapa, Bokuto e Luanze. A mais importante das tr�s era Massapa onde se faziam as trocas de produtos minerais pelas mercadorias trazidas p�los portugueses.

Os capit�es portugueses das feitorias de Tete deviam pagar ao Monomotapa um pesado tributo em g�neros e em dinheiro. Os portugueses tinham permiss�o de periodicamente ir negociar nas feiras de Monomotapa mas para atravessar o territ�rio do Monomotapa tinham que pedir permiss�o especial ao rei e tinham que ser escoltados por homens de Monomotapa.

 

2. Os reinos Barue, Quiteve, Manhi�a e Sedanda

 

a) Os portugueses tinham no reino B�ru� a feitoria de Sena. O capit�o desta feitoria era obrigado a pagar tamb�m tributos ao rei B�ru�, mas n�o tinha direito de se afastar para al�m de Sena.

A feitoria de Sena era uma base de abastecimento para a grande feitoria de Tete donde os portugueses tentavam conquistar o Monomotapa. As rela��es entre os B�ru� e os portugueses n�o eram muito amicais, donde surgiram conflitos constantes.

b) A sul do reino B�ru� ficava o reino Quiteve onde os portugueses tinham uma importante feitoria, Sofala. Esta era uma base de abastecimento para os navios que iam para a �ndia e tamb�m um ponto de partida para o com�rcio com o interior em Manica. Os portugueses tamb�m pagavam tributos ao reino Quiteve para poderem atravessar o seu territ�rio e ir at� Manica.

c) O reino de Manica ficava para o interior de Sofala. Era muito rico em minerais que frequentemente se comerciavam com os portugueses que vinham de Sofala. Os mineiros de Manica tinham uma t�cnica de extrac��o dos metais t�o desen�volvida, a escava��o de t�neis subterr�neos, que muito espantou os portugueses que nunca tinham visto uma coisa igual.

d) A sul de Manica ficava o reino de Sedanda que se estendia at� � foz do Limpopo.
Neste reino os portugueses n�o tinham nenhuma feitoria, mas l� iam frequente-�
mente negociar o marfim, as peles, os dentes de hipop�tamo e as p�rolas das
ilhas Bazaruto.��������������������������� :

e) Em todos estes reinos, naturalmente, os portugueses n�o pagavam os tributos. Al�m do com�rcio iam tamb�m buscar escravos que levavam para a �ndia onde os vendiam a altos pre�os.

Os escravos eram vendidos aos portugueses pelos pr�prios reis que os apanhavam entre prisioneiros que faziam nas guerras contra outros reinos ou entre v�rias tribos.

f) As estruturas pol�ticas em todos estes reinos eram de natureza tribal. N�o havia classes sociais distintas mas era muito frequente que os chefes de tribo e os chefes de cl�s de v�rias tribos que constitu�am o reino tivessem uma maior parte na dis�tribui��o das riquezas e um poder pol�tico muito grande.

No reino de Monomotapa essa diferen�a era mais acentuada do que nos restantes reinos devido � autoridade que os reis de Monomotapa tinham e tamb�m devido ao facto de ser neste reino que os portugueses tinham maiores contactos e onde, portanto, podiam mais facilmente semear a sua influ�ncia divis�ria.

g) A vida n�o era pac�fica entre estes reinos. As guerras entre eles eram muito frequentes.

Os portugueses tentaram sempre aproveitar-se dessas divis�es para lan�arem uns contra os outros e para assim poderem mais facilmente intrometer-se na vida pol�tica e econ�mica desses reinos. Muitas vezes at� lan�avam umas tribos contra outras, inventando e provocando quest�es e tentando desta ou daquela maneira ter mais influ�ncia junto dos reis.

Foi esta pol�tica divis�ria para dominar que permitiu aos portugueses permanecer em Mo�ambique. O povo mo�ambicano era hostil � presen�a dos portugueses. Mas muitas vezes os chefes tribais e os reis das federa��es de tribos necessitavam do auxilio dos portugueses para atacarem outras tribos ou muitas vezes para se defenderem do seu pr�prio povo. Por essa raz�o facilitavam muitas vezes a presen�a dos portugueses em Mo�ambique.

 

3. Os outros reinos: Zimba, Chicoa e Macua

 

a) Os Zimbas ficavam para o Nordeste de Tete, perto do rio Shire. Foram sempre hostis � presen�a dos portugueses e impediram sempre qualquer avan�o destes para o norte do Zambeze. Por isso os portugueses nunca conseguiram atingir o lago Niassa durante os s�culos XVII e XVIII.

Os Zimbas eram um povo muito aguerrido e v�rias vezes invadiram os territ�rios dos Macuas, chegando a ir at� ao Rovuma.

b) Os Macuas ficavam entre o Zambeze e o Rovuma e tiveram poucos contactos com os portugueses, sobretudo nos pontos costeiros e ao longo do Zambeze. Por�m, resistiram e impediram toda e qualquer penetra��o dos portugueses no seu territ�rio.

c) O reino de Chicoa ficava para o Nordeste de Tete. Era um reino muito rico em prata. Veremos mais adiante as lutas que tiveram os povos desse reino contra os portugueses no primeiro lustro (cinco anos) do s�culo XVII para defesa das suas minas de prata, que no entanto vieram a perder.

d) Da hist�ria dos Zimbas e Macuas pouco sabemos, porque tendo sido sempre hostis � penetra��o portuguesa, temos poucos testemunhos da sua civiliza��o. O pequeno com�rcio que mantinham com os portugueses era na base de marfim e de escravos.

 

4. A administra��o colonial portuguesa

 

Para melhor podermos compreender toda a ac��o dos portugueses em Mo�am�bique, devemos saber como era a administra��o colonial portuguesa nos princ�pios do s�culo XVII.

Os portugueses estendiam a sua influ�ncia na costa do Oceano Indico, desde o Cabo da Boa Esperan�a at� ao Pr�ximo Oriente. Goa era o centro administrativo de todo este extenso Imp�rio. A� se encontrava um Vice-Rei que tinha todos os poderes. Todo o territ�rio que ele governava estava dividido em pequenas capitanias. Na costa oriental da �frica existiam tr�s capitanias: Mo�ambique (ilha), Sofala e Mombassa. Os governadores das capitanias ou capit�es recebiam todas as suas ordens de Goa. As capitanias eram oferecidas aos nobres portugueses por um per�odo de tr�s anos. Ao fim desses tr�s anos os capit�es tinham que pagar uma elevada quantia ao Vice-Rei. Por�m, durante os tr�s anos eles tinham poderes quase absolutos no campo militar e no campo econ�mico, isto �, o monop�lio de todo o com�rcio.

Em Mo�ambique havia assim duas capitanias. O capit�o de Mo�ambique comandava toda a costa desde Cabo Delgado at� � foz do rio Zambeze e tamb�m todos os territ�rios para o interior. O capit�o de Sofala comandava toda a zona para o sul da foz do rio Zambeze mas tinha pouca influencia para o interior.

Os contactos entre as capitanias de Sofala e Mo�ambique com Goa eram muito demorados por causa das mon��es. Mon��es s�o ventos que sopram da costa para o mar e do mar para a costa em cada metade do ano.

Cada uma das capitanias possu�a v�rias feitorias. Vimos j� que as feitorias de Tete, Quelimane e Sena pertenciam � capitania de Mo�ambique e que a feitoria de Manica pertencia � capitania de Sofala.

Por sua vez, os contactos entre as feitorias e as capitanias eram tamb�m
muito demorados, o que permitia que todos os capit�es e feitorias roubassem o
mais que podiam, porque eram quase senhores absolutos nos territ�rios que
governavam.

 

5. O Monomotapa

 

Nos fins do s�culo XVI e nos princ�pios de XVII o Monomotapa era Gatse Rusere, a quem davam o t�tulo de Mambo (Rei).

Gatse Rusere tinha muito boas rela��es comerciais com os portugueses que iam comerciar em Massapa e nas outras feiras que se efectuavam no territ�rio controlado por Monomotapa.

Nesta altura o Monomotapa j� n�o tinha os mesmos poderes que os seus ante�passados tinham. Os antepassados do Monomotapa eram grandes senhores feudais que dominavam outras grandes tribos. Gatse Rusere era apenas um grande senhor tribal, isto �, era chefe principal de um reino que agrupava um grande n�mero de tribos.

O Monomotapa continuava a fazer a explora��o das minas mas j� n�o ficava com a parte de le�o. Havia uma reparti��o mais justa dos produtos da terra. Mesmo assim, Gatse Rusere tentava por todos os meios dominar o mais que podia. Dava grandes facilidades aos portugueses de comerciarem no seu territ�rio e fechava os olhos a toda explora��o que os portugueses faziam.

6. Revoltas contra o Monomotapa

Os portugueses, al�m do com�rcio dos metais e do marfim, apanhavam tamb�m um grande n�mero de escravos sem que Gatse Rusere se opusesse. � volta da fortaleza e feitoria de Tete os portugueses come�aram a apoderar-se duma grande quantidade de terras em que punham os �degredados�. Estes n�o obedeciam a nenhuma lei e faziam toda a esp�cie de roubos e explora��o. Tudo isto criou um grande descontentamento nas v�rias tribos do Monomotapa.

Em 1597 um chefe Chunzo revolta-se contra o Monomotapa. Gatse Rusere pede auxilio aos portugueses que enviaram de Tete uma for�a armada que ajudou os guerreiros do Monomotapa a derrotar Chunzo. Este n�o desiste e com a ajuda de um outro chefe descontente, Chicanda, volta em 1599 a atacar o Monomotapa. De novo Gatse Rusere volta a pedir aux�lio aos portugueses e consegue derrotar os dois chefes revoltosos. As revoltas de outros chefes tiveram o mesmo fim.

Os B�ru�, que faziam a vida muito dif�cil para os portugueses da feitoria de Sena, come�aram a preocupar-se muito com a alian�a de Gatse Rusere com os portugueses. Sena interessava muito aos portugueses e estes come�aram a instigar o Monomotapa a atacar os B�ru�. Gatse Rusere, dominado pela ambi��o de recons�truir o antigo Imp�rio, come�a a preparar-se para o ataque.

Os portugueses prontificam-se a ajud�-lo mas sob pesadas condi��es. Em troca da sua ajuda os portugueses exigem que o herdeiro do Monomotapa seja enviado a estudar em Goa onde os Dominicanos fariam dele um instrumento na pacifica��o

e dom�nio dos povos africanos. Os portugueses pedem tamb�m que lhes seja revelada a localiza��o das minas. Gatse Rusere aceita e assina um tratado de paz com os portugueses em 1607.

Atacam os B�ru� em 1607. Estes, comandados por Matuzianhe, resistem heroicamente. O ex�rcito de Gatse Rusere, ajudado p�los portugueses, � obrigado a recuar. Gatse Rusere, furioso com a derrota, recusa indicar aos portugueses a localiza��o das minas. Rompe a sua alian�a com os portugueses e estes voltam para Tete.

Na sua campanha contra os B�ru� Gatse Rusere n�o tinha conseguido apoio de todos os chefes de tribo do Monomotapa. Os chefes estavam descontentes com o acordo que Gatse Rusere tinha assinado com os portugueses. Os chefes aliam-se com o Matuzianhe. As for�as militares de Gatse Rusere ficaram assim muito enfra�quecidas.

No ano de 1608 Matuzianhe, ajudado por muitos chefes de tribo do Monomo�tapa, ataca Gatse Rusere. Este sem soldados portugueses e sem a maior parte dos seus guerreiros, � vencido e obrigado a fugir para Chidima, no reino de Chicoa, onde foi pedir abrigo. Matuzianhe fica assim a reinar no reino do Monomotapa. O povo do Monomotapa estava farto da pol�tica de amizade que Gatse Rusere fazia com os portugueses.

Gatse Rusere, refugiado em Chidima, resolve de novo ligar-se aos seus antigos aliados, os portugueses. Com mais promessas consegue o seu aux�lio para depor Matuzianhe.

Em 1610 os portugueses mandam vir da Ilha de Mo�ambique e de Sofala um grande ex�rcito que consegue derrotar Matuzianhe na Batalha de Magide Cochena. Este foge de Zimbabwe onde se tinha instalado e volta para B�ru�.

Gatse Rusere volta de novo a reinar no Monomotapa. Entrega todos os prisioneiros de guerra aos portugueses que v�o vender na �ndia e permite que os portugueses con�struam feitorias em Massapa, Bokuto e Luanza, onde tinham uma guarni��o militar.

Por�m, Gatse Rusere vai meditar no que lhe acontecer�. Aconselhado por Ningomaxa, seu ministro-conselheiro, ir� mudar de pol�tica. Gatse Rusere e Ningomaxa, tinha verificado que o povo estava descontente e n�o aceitava as condi��es impostas p�los portugueses.

Os portugueses estavam instalados no interior do reino, mandavam como se fossem donos, escravizavam e roubavam no com�rcio.

Ningomaxa aconselhou o rei a expulsar os portugueses do seu territ�rio para assim poder ter apoio do povo. Isso era dif�cil porque as for�as portuguesas estavam muito bem armadas e seria dif�cil venc�-las.

Em 1613 apareceram na costa de Mo�ambique barcos holandeses e ingleses que vinham disputar o com�rcio dos portugueses. O capit�o de Mo�ambique ordenou que todas as for�as em Mo�ambique se concentrassem na costa. Nas feitorias do Monomotapa ficaram poucos homens.

Gatse Rusere aproveitou essa ocasi�o e no ano de 1613 come�ou a expulsar os portugueses de Mo�ambique. Os poucos portugueses que se encontravam em Massapa, Luanza e Bokuto foram mortos e os de Tete fugiram para Sena.

Os portugueses, vendo que o seu antigo aliado os come�ava a atacar, resolveram incitar um chefe de tribo do Monomotapa a revoltar-se contra ele com a promessa de lhe darem o t�tulo de Mambo (rei) e ficaria assim a reinar no Monomotapa. Esse chefe de tribo era o da regi�o circunvizinha de Tete e dava pelo nome de Marenga. Os portugueses voltaram de novo a ocupar Tete e derrotaram os ex�rcitos que Gatse Rusere tinha enviado para combater com Marenga.

7. Os portugueses em Sena

Os portugueses vencidos p�los guerreiros do Monomotapa abandonaram por algum tempo as suas ambi��es de conquista das minas do Monomotapa. Estavam muito ocupados na costa a combater os holandeses e ingleses que lhes queriam tirar o monop�lio do com�rcio na costa de Mo�ambique,

Os B�ru�, chefiados por Matuzianhe, foram sempre hostis aos portugueses e nunca tinham permitido que eles passassem alguns quil�metros al�m de Sena. Mas por volta dos fins do ano de 1613 Matusianhe morre e um conflito surge pela sucess�o entre dois candidatos. Os portugueses aproveitam essa luta para instigar um dos candidatos com promessas de grandes presentes. O candidato dos por�tugueses � derrotado e quem sobe ao trono � Chombe, que era contra os por�tugueses.

Mal toma conta do poder, a primeira coisa que Chombe faz � enviar os seus guerreiros para ocupar o estreito de Lupata no Zambeze, por onde os portugueses obrigatoriamente tinham que passar para ir at� Sena e Tete. Os portugueses sem passar por Lupata ficavam como se tivessem pernas cortadas. Tete n�o poderia ser abastecida nem com muni��es nem com mercadorias para o com�rcio de trocas. Todo o ouro que vinha do Monomotapa ficaria sem poder ser negociado. O estreito de Lupata era um ponto vital para a economia e com�rcio dos por�tugueses. Por isso tiveram que pagar pesados direitos de passagem por cada navio.

Chombe come�ou a exigir grandes tributos aos portugueses para poderem passar. Estes viram-se obrigados a pagar mas com grande descontentamento.

Resolveram, por isso, atacar Chombe com o auxilio de dois chefes da tribo B�ru�, Quitambo e Samanca.

Os portugueses atacam Chombe em Lupata mas s�o redondamente vencidos. T�m que fazer pedidos de refor�os para Quelimane e Sofala. Trava-se -uma grande batalha que durou cerca de dois meses. Ao fim desse tempo Chombe � vencido e 8.000 dos seus homens s�o feitos escravos. A batalha de Lupata foi uma das grandes batalhas que os mo�ambicanos travaram contra os portugueses e em que s� foram vencidos pela superioridade de armas dos portugueses.

Mesmo vencidos, os mo�ambicanos n�o quiseram mostrar a localiza��o das minas aos portugueses. Queriam ser eles a explor�-las e vender a prata aos portugueses.

Foi nesta altura, em 1615, que chegou da �ndia o filho mais velho de Gatse Rusere, que linha estudado em Goa e a quem os portugueses tinham baptizado e dado o nome de D. Filipe. Este vai servir de espi�o para os portugueses. Devido � sua linhagem real D. Filipe consegue saber da localiza��o das minas e revela-as aos portugueses. Estes imediatamente se dirigem para o local onde na verdade encontram terras ricas em prata que come�am imediatamente a explorar.

Em 1618 os portugueses mudaram o seu sistema administrativo. Mo�ambique passa a ter um governador que, no entanto, continuava a depender do Vice-Rei de Goa. Tinha poderes mais vastos do que os antigos capit�es. Passou a usar o t�tulo de capit�o dos rios de Cuama, porque assim chamavam ao rio Zambeze.

A raz�o desta mudan�a de administra��o foi devida ao facto de que as comuni�ca��es entre Goa e Mo�ambique eram muito demoradas e tamb�m porque Portugal queria intensificar a explora��o das minas de Chicoa.

Por volta de 1623 Gatse Rusere morre. Nos �ltimos anos do seu reinado tinha voltado pouco a pouco a ajudar os portugueses em Chicoa e permitido que de novo os mercadores portugueses penetrassem no interior do seu reino para se dedicarem ao com�rcio de trocas.

Seguiu-se uma longa luta pela sucess�o entre os filhos de Gatse Rusere. D. Filipe, que era amigo dos portugueses, e Capranzine, que era hostil aos portugueses.

Os portugueses deram o seu auxilio a D. Filipe mas Capranzine venceu-o e tomou lugar no trono do Monomotapa. Foi auxiliado nesta luta p�los reis de B�ru� e Manica. Capranzine expulsa de novo os portugueses do interior, Massapa, Bokuto, Luanza e Chicoa.

Todos os planos dos portugueses sobre minas estavam a desfazer-se. Os portugueses come�am ent�o a fazer uma pol�tica de intrigas, conseguindo subor�nar o tio de Capranzine, Mavura, que tinha sido educado p�los mission�rios dominicanos. Este presta-se a lutar contra Capranzine com a ajuda dos portugueses e com a promessa de ficar no trono do Monomotapa.

8. O reino de Mavura

Em 1628 Mavura ataca Capranzine e consegue ocupar as feiras de Massapa, Luanza e Bokuto e ainda Zimbabwe. Capranzine � obrigado a recuar, ficando no entanto a dominar sobre a maioria do reino Karanga.

A primeira coisa que Mavura fez foi prestar acto de vassalagem ao rei de Portugal, declarando dar em homenagem ao rei portugu�s todas as minas de prata, ouro, cobre, estanho e ferro do seu reino.

A maior parte das minas, por�m, encontravam-se nas m�os de Capranzine. Por esta raz�o houve guerras constantes entre tio e sobrinho, ou seja, entre Mavura e Capranzine.

Mavura consente que v�rias fam�lias de portugueses e de indianos vindos de Goa se instalem nas melhores terras do seu pequeno reino, assim como permite que os mission�rios fa�am a catequiza��o do seu povo.

O pr�prio Mavura � baptizado com toda a sua fam�lia e o irm�o de Capranzine � enviado para Goa para ser educado p�los dominicanos. Todavia, os portugueses n�o estavam satisfeitos com os resultados que obtinham, porquanto as minas, que eram o seu principal interesse, continuavam nas m�os de Capranzine. Decidem atacar Capranzine com um grande ex�rcito.

Capranzine pede auxilio ao reino de Manica e consegue derrotar os portugueses em 1631. Mais de 400 portugueses foram mortos. Capranzine prepara-se para atacar Mavura em Zimbabwe.

Por�m, em 1632 os portugueses tinham conseguido atacar o rei de Manica e substitu�-lo por um dos seus aliados. Capranzine sem apoio de Manica ataca Mavura mas � vencido. Obrigado a recuar para o sul do reino, Capranzine deixa nas m�os de Mavura algumas minas que os portugueses imediatamente come�am a explorar.

9. In�cio do sistema dos prazos

No reinado de Mavura come�aram a chegar a Mo�ambique fam�lias pobres portuguesas e tamb�m fam�lias indianas que vinham de Goa e Cochim. Cada uma destas fam�lias recebia uma por��o de terra na qual tinha todos os direitos.

Esta por��o de terra, ou prazo, era cultivada p�los escravos que os portugueses faziam nas suas guerras contra os povos de Mo�ambique. Com o tempo, os prazeiros come�aram tamb�m a fazer as suas pequenas guerras de conquista e captura de escravos que clandestinamente comerciavam ora com os �rabes ora com os outros mercadores portugueses. O sistema dos prazos iniciou a coloniza��o de Mo�am�bique.

A situa��o ao longo do rio Zambeze era muito desordeira porque os prazeiros n�o obedeciam �s ordens dos capit�es e feitorias e punham em perigo as rela��es que os portugueses tinham com os reis e chefes de tribo. Roubavam as colheitas, prendiam pessoas e com o tempo tornaram-se muito ricos e a sua riqueza atra�a mais gente que vinha em busca de prazos.

Juntamente com os prazeiros vinham os mission�rios que em nome da religi�o crist� vinham preparar o povo de Mo�ambique para a explora��o.

Mavura com a sua pol�tica de colabora��o com os portugueses, permitiu que os portugueses constru�ssem algumas igrejas, uma das quais em Zimbabwe. O povo estava muito descontente e com o tempo Mavura foi obrigado a pedir aos portu�gueses que controlassem as actividades dos prazeiros e mission�rios. Mas a situa��o continuava a piorar de ano para ano.

Em 1652 Mavura morreu depois de ter reinado cerca de 22 anos em que sempre serviu os interesses dos portugueses. O filho de Mavura, de nome Siti Kazuruku-musapa, tinha sido baptizado e adoptara o nome de D. Domingos. Tal como o pai, continuou a servir fielmente os portugueses, a dar-lhes todas as facilidades e permitir-lhes todo o roubo.

O povo, por�m, continuava descontente com os seus chefes e em 1655 faz uma revolta contra D. Domingos na qual este � morto. O irm�o de Mavura, que comandava a revolta, sobe ao trono. N�o sabemos qual era o verdadeiro nome do irm�o de Mavura e, por isso, chamar-lhe-emos Mambo que, como devemos lembrarmo-nos era o t�tulo dos reis Monomotapa.

Mambo foi come�ando a atacar os prazeiros e a recuperar e distribuir ao povo as terras que estes tinham roubado. Impediu tamb�m que os mission�rios pregassem a religi�o crist�, porque tinham sido eles que aconselharam Mavura e D. Domingos a obedecer aos portugueses com a amea�a de que se assim n�o o fizessem seriam excomungados.

Os portugueses foram obrigados a abandonar as terras que tinham usurpado (levado pela for�a) e foram fixar-se ao longo do rio Zambeze e nos arredores de Tete e Sena.

Resta-nos agora saber por que jqs portugueses n�o atacaram Mambo. Pela simples raz�o de que n�o tinham tropas nem em Mo�ambique nem na �ndia. Na verdade a maior parte das col�nias portuguesas na �ndia tinham-lhes sido conquistadas p�los ingleses, franceses e holandeses. Os portugueses por volta dos meados do s�culo XVII estavam a intensificar a coloniza��o do Brasil e dedicavam nisso todos os seus homens e barcos.

Assim, com. o tempo, as terras que tinham sido roubadas p�los prazeiros voltaram para os seus antigos possuidores. O n�mero de portugueses come�ou a diminuir consider�velmente, at� que por volta de 1675 havia s� cerca de 50 prazeiros em Mo�ambique.

Os reinos africanos de Mo�ambique puderam viver alguns anos sem a inter�fer�ncia dos portugueses. Isso, por�m, n�o lhes trouxe a paz. Um novo chefe guerreiro vai invadir o Monomotapa e substitu�-lo. As dinastias do Monomotapaj� estavam demasiadamente comprometidas com os portugueses e com os mission�rios para poderem inspirar confian�a ao povo. Por isso quando uma nova for�a surgiu, o povo facilmente a seguiu.

10. Changamire: a invas�o dos Rozwi

No ano de 1680 os Rozwi, comandados pelo seu chefe Changamire, invadem o territ�rio dos Butua e apoderam-se do trono.

No ano de 1684 Changamire ataca o Monomotapa que � vencido na batalha de Maungo. O Monomotapa � morto na batalha e todos os seus filhos fogem para Tete onde existia ainda uma pequena feitoria, todavia sem o esplendor de alguns anos atr�s.

Ao dominar o reino de Monomotapa na batalha de Maungo, Changamire toma conta do poder.. Durante alguns anos o antigo Imp�rio do Monomotapa dos tempos de Matope, Mutota e do Changamire seu antepassado, vai ressurgir das ru�nas em que o tinham lan�ado os portugueses.

Depois de ter dominado os Butua e o Monomotapa, Changamire vai atacar os B�ru� que tamb�m se submetem � sua autoridade. Por volta de 1688 Changamire reinava sobre um imenso territ�rio.

Para mais facilmente o administrar cedeu o reino Butua � dinastia Torwa e o trono de seu pai ao filho do antigo Monomotapa. O novo Monomotapa era Nyacunimbire. Os B�ru� ficaram tamb�m sob a dinastia Chombe.

Tal como antigamente, todos estes reis tinham que pagar tributo e prestar vassalagem ao Changamire. O com�rcio com o exterior que tinha sido a base da riqueza nos anos de 1325 - 1500, tinha quase desaparecido com o afastamento gradual dos portugueses de Mo�ambique. O trabalho das minas tamb�m atrasou-se.

 

���� Havia j� muito poucos comerciantes portugueses que se aventuravam a ir �s feiras de Massapa e outras.

Changamire percebera que os portugueses s� podiam trazer a destrui��o ao seu imp�rio e por isso impediu que os poucos prazos que ainda existiam pudessem alargar-se.

Em 1690 consegue fazer com que o reino de Manica e o de Quiteve se juntem ao Imp�rio.

Estava finalmente reconstru�do o antigo Imp�rio. Vai por�m durar muito pouco tempo. Os la�os econ�micos que uniam esses reinos eram muito fr�geis. A economia tinha retrocedido para uma pura e simples troca de artigos alimentares. Tinha-se tornado uma economia fechada, num ciclo de trocas que n�o trazia vantagens a ningu�m.

A alian�a militar e vassalagem j� n�o se justificavam, porque nenhuma amea�a existia. No plano exterior, os portugueses tinham quase abandonado Mo�ambique, mantendo apenas algumas feitorias, tais como Sena, Tete, Quelimane. No plano interno, a volta ao sistema de produ��o tribal tinha impedido a forma��o de classes e portanto nenhum perigo existia de revolta popular.

 

Por isso com o tempo alguns chefes tribais e alguns reis, como por exemplo o rei B�ru�, tinham deixado de prestar vassalagem e de pagar tributos. O Imp�rio come�ava a dar sinais de divis�o e Changamire resolve em 1695 fazer uma expedi��o punitiva contra Chombe, o rei de B�ru� na regi�o de Tete. Changamire ataca Chombe na batalha de Nyampaza, mas por azar � morto na luta.

Nenhum dos reis vassalos quis continuar a prestar vassalagem ao sucessor de Changamire e este tamb�m n�o se sentia suficientemente forte para a poder impor pela for�a.

Com a morte do Changamire o Imp�rio desmembra-se de novo e para nunca mais se voltar a unir. Como resultado desse ressurgimento ficaram como testemunhos as magn�ficas constru��es de Mapungubwe, Dlo-Dlo, Khami, Inyanga, etc.

O sucessor de Changamire foi Dombo. Este n�o conseguiu manter a sua autoridade no Imp�rio que Changamire reconstituiu e assim, por volta dos fins do s�culo XVII o Imp�rio fracassou.

O reino de Karanga, ou Monomotapa, continua nas m�os de Nyacunimbire. Este morre tamb�m nos fins de 1695 e o seu sucessor, Chirimbi, manifesta tend�ncias de negociar com os portugueses que o tinham educado em Goa e que fizeram dele seu fiel instrumento.

Dombo, que continuava a seguir a pol�tica de seu pai, evita contactos com os portugueses, ataca Chirimbi que � obrigado a fugir e refugiar-se no norte de Tete. Nunca mais conseguir� retornar ao reino Karanga. Este reino fica, pois, nas m�os de Dombo. Este reinava num territ�rio que ia desde o Limpopo at� ao Zambeze.

Os reinos de Butua, B�ru�, Manica e Quiteve deixam no entanto de fazer parte do Imp�rio. Os seus reis deixaram de pagar vassalagem ao rei central. O Imp�rio nunca mais se reconstituiria.

Com o tempo, os poucos portugueses que estavam em Tete e nos arredores foram obrigados a reconhecer a autoridade de Dombo.

Conclus�o

O sucessor de Changamire, Dombo, continuara a dominar no territ�rio que ia do Limpopo at� ao Zambeze e que compreendia os reinos Rozwi e Karanga.

Embora n�o tivesse tomado o t�tulo de Monomotapa e continuasse a usar o t�tulo de Changamire, Dombo era na verdade o sucessor dos antigos Monomotapas na autoridade que soube manter.

Com o tempo, mais portugueses foram chegando e pouco a pouco o com�rcio recome�ou. A feira que mais se desenvolveu foi a de Zumbo onde os portugueses iam buscar o cobre nas terras de Kazembe.

O dom�nio dos Changamires durou at� o ano de 1830 aproximadamente, data em que os guerreiros zulus destru�ram as cidades no momento das suas c�lebres invas�es que mais tarde estudaremos.

 

Com o in�cio do s�culo XVIII vamos assistir a uma tentativa organizada da parte dos portugueses de iniciar a coloniza��o. Nessa altura o sistema de prazos que tinha deca�do foi oficialmente institu�do. Faremos o estudo dessa tentativa de coloniza��o no pr�ximo cap�tulo.

 

 

PERGUNTAS

1. O que � um prazo?

2. Donde vieram os primeiros prazeiros?

Donde veio a m�o de obra que trabalhava nos prazos?

3. Discuta a ac��o dos mission�rios na coloniza��o de Mo�ambique.

4. Em que ano os Rozwi tornaram-se senhores do Imp�rio do Monomotapa?

5. Diga o nome de algumas constru��es que nos provam o ressurgimento do Imp�rio no s�culo XVII?

6. Em que anos os zulus destru�ram os restos das cidades do Imp�rio de Monomotapa?

7. Quando � que os portugueses iniciaram a coloniza��o de Mo�ambique?

8. Que minerais interessavam aos portugueses na costa oriental da �frica?

 

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