IX
COMPANHIAS
MONOPOLISTAS
A partir
de 1880 o lugar predominante no com�rcio j� n�o estava nas m�os dos
comerciantes e mercadores mas sim nas m�os de grandes companhias capitalistas
de car�cter monopolista. Estas companhias prosseguiram no seu intento de
incorporar regi�es e pa�ses inteiros. Elas ocupavam-se tanto da importa��o e da
compra dos produtos africanos como tamb�m da organiza��o das planta��es e da
produ��o de monocultura (cultura de um s� produto) e da extrac��o das riquezas
do subsolo, utilizando sempre o trabalho for�ado da popula��o africana.
Portugal n�o era
uma grande pot�ncia capitalista nos fins do s�culo XIX. A maior parte da sua
economia encontrava-se nas m�os do capital (dinheiro) estrangeiro,
principalmente dos ingleses.
A economia portuguesa
n�o tinha for�a para explorar as col�nias. Foi assim que o capital estrangeiro
come�ou a explorar o povo de Mo�ambique por meio da Companhia de Mo�ambique,
Companhia da Zamb�zia, Companhia do Niassa, Companhia do Boror, Companhia do
Luabo, Societ� du Madal e Sena Sugar Estates.
Em 1900 a �rea de
Mo�ambique ocupada por estas companhias era superior a dois ter�os da
superf�cie total do pa�s.
A mais importante
destas companhias, fundada em Fevereiro de 1891, era a Companhia de Mo�ambique.
Os capitais (dinheiro) na base desta companhia vieram da Alemanha, Inglaterra e
da �frica do Sul e somavam cerca de 5.000.000 d�lares. A Companhia ficava a
governar toda a actual prov�ncia de Manica e Sofala durante 50 anos.
O governo
portugu�s devia receber 7,5 por cento do total dos lucros. A Companhia tinha o
monop�lio do com�rcio, da ind�stria mineira, da pesca, das p�rolas, da ca�a dos
elefantes, etc. A Companhia tinha direito de cobrar os impostos, entre os quais
o imposto de palhota que � uma fonte segura e inesgot�vel de m�o-da-obra. A
Companhia tinha tamb�m o direito de constru��o de estradas, portos e outras
vias de comunica��o e ainda o direito de fazer pequenas concess�es a outros.
Tinha tamb�m o direito de cultivar o seu territ�rio. Todas as terras que
tivessem sido cultivadas pela Companhia ficavam-lhe a pertencer depois de
terminada a concess�o (prazo). Outros direitos da Companhia eram os bancos, os
servi�os postais e a administra��o. A sede desta companhia passou a ser a
cidade da Beira. A Companhia construiu o caminho de ferro para Umtali e o porto
da Beira para servir os interesses da economia da Rod�sia e da Z�mbia.