Da ��hist�ria...

Mo�ambique n�o tem hist�ria. N�o tem registo de passado pr�prio, pelo menos de h� quinhentos anos. A hist�ria de Mo�ambique � a hist�ria de Portugal.

Mo�ambique nem existia enquanto tal. Apenas existia um espa�o, um territ�rio ocupado por suas etnias, suas tribos, dispersas. Era selva, era terra de ningu�m. Sem lei nem rei. Esse espa�o foi delimitado. Nesse espa�o se formou, se definiu, se criou, Mo�ambique. Assim se criaram os mo�ambicanos.

Mo�ambique foi assim "inventado" por Portugal.

At� aos descobrimentos toda a �frica meridional e austral, com excep��o da Ilha de Mo�ambique e �reas adjacentes, onde j� se pratica algum com�rcio e navega��o, vive na fase da pr�-hist�ria, no mais atrasado paleol�tico. N�o tem escrita, n�o tem monumentos, ou quaisquer elementos materiais assinal�veis, como testemunho do passado. E s� ent�o uma parte dela entra na hist�ria pela m�o de um pequeno pa�s europeu, crist�o, civilizado - Portugal.

Com efeito, foi nos fins do s�culo XV que Vasco da Gama, a caminho da �ndia, aportou �s terras que s�o hoje Mo�ambique. Terras da boa gente. Rio dos bons sinais. Em geral com bom acolhimento. E nas viagens seguintes. E a pouco e pouco se foram habituando as popula��es ribeirinhas a ver as naus portuguesas com seu s�mbolo nas velas, a cruz de Cristo. Que ali�s, por precau��o, s� foi usado bastante mais tarde. Depois foram institu�das as primeiras feitorias, ou entrepostos, vieram os mission�rios e foram constru�das as primeiras igrejas, e come�ou a evangeliza��o. Por outro lado o com�rcio prospera. Chegam � costa os produtos do interior. Ouro, marfim e especiarias s�o trocados por produtos europeus, antes desconhecidos daquela popula��o. Estabelecem-se as rela��es entre pessoas. Amizades e porventura �dios. H� incidentes. Estalam guerras tribais bem na sua linha de tradi��o entre as diversas etnias ind�genas, quase sempre com grande ferocidade. Manifestam-se os inevit�veis jogos de poder locais, entre os reis ou r�gulos. Interesses. Rivalidades. Portugal interp�e-se e restabelece a ordem e a paz. Fixam-se for�as de manuten��o da ordem. Os chefes ind�genas mais fracos solicitam protec��o. Estabelecem-se tratados. Desenvolve-se uma pol�tica de harmoniza��o das popula��es tribais a par do desenvolvimento do com�rcio. Alarga-se a �rea de ac��o. Ganha fama a ac��o dos portugueses. As trocas aumentam e os produtos chegam de mais longe, l� do interior, onde consta haver riquezas fabulosas. Novos incidentes. Comerciantes s�o assaltados. H� expedi��es para o interior em ordem � puni��o dos malfeitores. O prest�gio redobra. Os mission�rios abrem mais igrejas, escolas e hospitais, e avan�am mais e mais para o interior, � conquista das almas e estabelecendo largas zonas de influ�ncia. Correm os anos. Lentamente. Correm os s�culos. O com�rcio alarga a sua �rea de ac��o. As naus, de passagem, visitam todas as numerosas feitorias e entrepostos junto � costa, n�o s� pelo com�rcio mas por necessidade de aguadas, comida fresca, descanso das tripula��es, cuidar de doentes, repara��es de navios e o mais necess�rio.

Cresce a inveja e o oportunismo dos demais pa�ses europeus face � situa��o portuguesa. Lit�gios com holandeses. Quest�es com ingleses. Acto de Navega��o. Pacto Colonial. Na Europa decidem-se as quest�es africanas. Tratados de Com�rcio e Navega��o. Industrialismo. A import�ncia das mat�rias-primas na Europa industrial. Contesta��es territoriais. A quest�o da ba�a de Louren�o Marques com os ingleses. A atitude dos r�gulos a favor de Portugal. Nova divis�o administrativa dos territ�rios de �frica. Regime especial, na Constitui��o de 1838. Integra��o dos territ�rios onde se exercia efectiva soberania, no territ�rio nacional, como prov�ncias ultramarinas.

Algumas grandes viagens pelo interior do grande continente. Livingstone. Stanley. Brazza. A corrida dos pa�ses europeus � �frica. A posi��o sempre diferente de Portugal, ali instalado de longa data. Os grandes sertanejos e viajantes exploradores portugueses: Capelo e Serpa Pinto. Ivens e Silva Porto. E outros.

A partilha da �frica. Confer�ncia de Berlim, em 1884. As diversas conven��es. Zonas de influ�ncia. Protec��o aos ind�genas. A posi��o e perspectiva internacional de Portugal sempre diferente da dos restantes pa�ses s� agora interessados em �frica. O mapa cor-de-rosa, que era a manifesta��o do desejo dos sertanejos e de alguns pol�ticos portugueses, de ligarem por terra, numa larga faixa territorial, Angola e Mo�ambique, portanto de costa a costa. O que estava em oposi��o ao projecto ingl�s, mais ambicioso, de Cecil Rhodes, de ligar por uma ferro via transcontinental, o Cabo ao Cairo e a respectiva zona de influ�ncia. E da� resultando o ultimatum ingl�s em 1890. A grande mobiliza��o nacional contra os ingleses face � ofensa. Progresso econ�mico e social dos territ�rios ultramarinos. Ant�nio Ennes, Mouzinho de Albuquerque e Caldas Xavier. A campanha contra os v�tuas, conhecida por guerra contra o Gungunhana. Tratado luso-brit�nico de 1891. Aparecimento de Mo�ambique com fronteiras delimitadas.

A 1a grande guerra. Os alem�es invadem Mo�ambique pelo norte a partir da chamada �frica Oriental alem�, hoje Tanz�nia. Portugal resiste, luta e defende com sucesso. Centenas de portugueses, brancos e negros, morrem conjuntamente pela mesma causa: Mo�ambique. Ali�s o mesmo acontecendo em Angola. Campanha espinhosa e letal segundo a descri��o que dela se faz, no livro da autoria do ent�o capit�o Gomes da Costa, que nela participou. O pa�s faz pesados sacrif�cios em vidas humanas e valores materiais. Os combates nas trincheiras da Flandres, com milhares de mortos, gaseados e estropiados, ainda s�o, principalmente, para defesa e garantia dos direitos portugueses em �frica, perante a comunidade internacional.

Armist�cio. A paz volta a Mo�ambique. Sociedade das Na��es. Os Mandatos. As novas Conven��es. Proibi��o do com�rcio de armas e muni��es, para evitar guerras tribais, e proibi��o de bebidas alco�licas. Comiss�o permanente dos Mandatos na Sociedade Das Na��es, em Genebra. Educa��o pol�tica e moral. Melhoria das condi��es de exist�ncia dos nativos. Defesa dos interesses das popula��es. Organiza��o Internacional do Trabalho. A nova pol�tica de autonomia. Descentraliza��o administrativa. Lei Org�nica do Ultramar. Unidade pol�tica. O Acto Colonial.

A 2a grande guerra. As Na��es Unidas. O Estado Novo em Portugal. O ataque a Portugal, principalmente com as ideias de esquerda, e do chamado terceiro mundo, numa feroz e concertada propaganda, e geralmente orquestrada, directa ou indirectamente a partir de Moscovo, ou dos seus sat�lites, condenando a pretensa e exaltada explora��o colonialista, vulgarmente designada pejorativamente por colonialismo, por ac��o de um pretenso opressivo regime fascista. E sugerindo uma liga��o ao horror que foi a escravatura, como se esta "institui��o" fosse inventada, criada, ou mais usada, pelos portugueses, do que por outros povos. Querendo-se, na ideia, na inten��o, aproxim�-lo na mente das pessoas menos esclarecidas, dos horrores do regime nazi, de Hitler, e fascista de Mussolini. Ignorando deliberadamente as realidades e as verdades da hist�ria. E tamb�m a propagandeada ideia da exist�ncia dos �nacionalismos� africanos, pressupondo que Portugal exercia uma feroz opress�o sobre os povos nativos e da qual estes desejavam libertar-se, produto da mesma ideia de colonialismo e consequentemente com o fim de obter a condena��o de Portugal, na opini�o p�blica internacional. A ac��o da expans�o comunista no mundo, e especialmente em �frica. A guerra subversiva. O terrorismo. O progresso manifesto resultante de uma nova aten��o do governo portugu�s e de todo o pa�s sobre o ultramar. O ritmo de desenvolvimento nunca antes visto.

O 25 de Abril. O Acordo de Lusaka. A grande trag�dia nacional. A grande trai��o do governo portugu�s pr�-comunista da �poca, que se colocou ao servi�o da esquerda e dos interesses comunistas internacionais. A da��o de Mo�ambique aos terroristas com abandono e rep�dio de um passado honroso, de uma hist�ria de quase cinco s�culos, onde como em toda a hist�ria h� grandezas e mis�rias. Os efeitos dram�ticos e chocantes dessa trai��o aos dois povos, o europeu e o africano, traduzidos na pr�tica em guerra, fome e mis�ria. E sofrimento e morte.

 

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N�o sofre d�vidas que os descobrimentos s�o um facto dos mais importantes da hist�ria universal. Nem a viagem � lua efectuada p�los americanos, a 20 de Julho de 1969 que tanto nos impressiona, se lhe compara. Se � certo que vermos pela TV dois homens na lua, enquanto comodamente instalados no sof� da nossa sala, nos enche de espanto, e se traduz num enorme progresso t�cnico e cient�fico, que consideramos grande maravilha do nosso tempo, as navega��es dos secs. XV e XVI e salvas as devidas dist�ncias e propor��es, n�o s�o menos de espantar. E al�m de mostrarem tamb�m um grande progresso para a �poca, foram essencialmente actos de coragem e f�, inexced�veis. E foram, pode dizer-se, na linguagem desportiva, o pontap� de sa�da do grande desafio de alcan�ar todos os pontos da terra, ou o primeiro passo para, s�culos mais tarde, se chegar � lua.

Os nossos navegadores estavam em compara��o, menos apetrechados que os astronautas. Conheciam muito mais os astronautas da lua que os navegadores do Novo Mundo, de que ali�s n�o conheciam nada.

Por�m, a grande, a enorme diferen�a, est� nas consequ�ncias resultantes desses factos. Os efeitos econ�micos, cient�ficos e pr�ticos em geral, das descobertas foram incomparavelmente mais importantes que a viagem � lua. Foi um abrir novos mundos ao mundo, o chegar a terras antes inteiramente desconhecidas do mundo europeu, que era ent�o, segundo se pensava, o centro do mundo civilizado e conhecido. Pois esse mundo conhecido, a ocidente era delimitado pelo imenso oceano Atl�ntico, a sul pelo imenso deserto do Sahara, e a oriente pelo deserto de Ar�bia e pelas primeiras montanhas asi�ticas. Era praticamente o espa�o herdado do antigo imp�rio romano no seu apogeu.

� claro que na Europa se ignorava a exist�ncia de outras civiliza��es, noutros continentes, e at� os pr�prios continentes, como seja a da China, da �ndia, da Birm�nia, a oriente e as dos Aztecas, In�as e Maias e outros, na Am�rica, central e do sul, para s� citar as mais conhecidas, e que s� as navega��es revelaram. Algumas reveladas de forma tr�gica, pois as descobertas foram-lhes fatais,

casos da civiliza��es americanas, cujas popula��es foram quase exterminadas por ac��o dos descobridores. Neste caso espanh�is!

Em rela��o �s partes do oriente, o que se conhecia era atrav�s das narra��es de viajantes e aventureiros, como o c�lebre veneziano Marco P�lo, que por terra se deslocou com a sua caravana a v�rios lugares desconhecidos, designadamente at� � China, ao Jap�o e Ilhas da Mal�sia e �ndia, atrav�s da Mong�lia, onde teria inclusive estado ao servi�o de um poderoso Imperador o Kublai KM, aventura que foi narrada no seu c�lebre livro // Millionne. Mas tomadas mais como fantasia do que verdade. Outras narra��es que passavam de boca em boca, de pais para filhos, simples tradi��o oral, umas vezes davam elementos verdadeiros, outras vezes n�o eram tamb�m mais que lendas e fantasias, como a exist�ncia das terras do Preste Jo�o, um suposto monarca crist�o, cujo reino se localizaria no que hoje s�o as terras da Abiss�nia ou Eritreia ou, segundo outra vers�o, na �sia Central. E sem esquecer ainda as lendas da fant�stica e maravilhosa Rainha de S�b�; ou das fabulosas riquezas do Rei Salom�o, e muitas outras.

Mas para al�m das lendas, objectivamente pretendia-se, al�m de competir no com�rcio com as cidades do Mediterr�neo oriental, principalmente italianas, e em especial a forte Veneza, que ent�o detinham o quase monop�lio do com�rcio dos produtos orientais, conhecer e estabelecer rela��es directas de com�rcio, torneando as dificuldades criadas a cada passo pelos povos orientais da Ar�bia, do Egipto e outros, em geral de cultura isl�mica e portanto inimigos dos crist�os, e onde proliferavam os conflitos, e que constitu�am um tamp�o dif�cil de transpor, entre a Europa e o oriente misterioso e designadamente a �ndia fabulosa. Era pois necess�rio descobrir outra via mais conveniente e essa via era o caminho por mar para oriente, para a lend�ria �ndia.

Ora, feita a descoberta do caminho mar�timo para a �ndia, por Vasco da Gama, rodeando longamente a costa de �frica, e passando ao cabo tormentoso como o apelidara antes Bartolomeu Dias, e depois de reconhecer a costa indica, e de chegar ao Indust�o, n�o se deu a obra por terminada. Foi mais longe. Porque a partir da�, outros ousados navegadores portugueses, por largos anos e de forma sistem�tica e incessante, em vagas sucessivas, foram por mar � China, ao Jap�o, � Austr�lia e a todas as terras orientais, principalmente as numerosas ilhas da Mal�sia e da Insulindia, onde em numerosos locais deixou testemunho vivo da sua ra�a e da sua cultura, como em Macau e Timor, e foi um feito que revolucionou o mundo daquela �poca. Mexeu de forma profunda com muitos e grandes interesses. Foi uma verdadeira revolu��o.

Foi o conhecer novas gentes e novas culturas, e o estabelecer novas rela��es culturais e sobretudo comerciais. Pois era indispens�vel rentabilizar, como hoje dir�amos, as expedi��es �s novas terras, pelo com�rcio, cujos ganhos cobrissem as despesas, os custos dos empreendimentos, e dos riscos. Custos e riscos que n�o eram poucos nem pequenos.

E desbravado o mar tenebroso, e a par dos espanh�is, logo holandeses, ingleses e outros se lan�aram na esteira desta aventura e criaram as suas pr�prias zonas de influ�ncia no novo mundo. Para al�m da pirataria, at� oficial, que se lhe seguiu. Haja em vista a teoria jur�dica da liberdade dos mares, o estabelecer do direito de presa, isto �, o direito de atacar navios comerciais, como princ�pio perverso do direito mar�timo internacional. Ou o apoio oficial a piratas profissionais, sendo o mais c�lebre o flibusteiro ingl�s Francis Drake, que segundo se julga saber tinha a protec��o oficial da rainha Isabel I de Inglaterra. E todo um rol de factos, muitas vezes tr�gicos, ocorridos ao longo de d�cadas, mesmo de s�culos.

E da descoberta de novas terras, e para al�m das rela��es humanas, surgiram novos produtos, principalmente as especiarias, como a pimenta, a canela, o cravo, o gergelim, a noz-moscada, e muitas outras variedades, como mercadorias fundamentais, e com grande procura e valia na Europa. E o a��car, o milho, o arroz, a batata ... E o cacau. E os metais, o ouro e a prata. E as p�rolas e o marfim. E as pedras preciosas da mais diversa natureza. E as sedas. Al�m de produtos artesanais diversos, diferentes e ex�ticos, destacando-se as belas porcelanas chinesas, trabalhos delicados e preciosos em marfim, em seda, pe�as de mobili�rio em madeiras ex�ticas e outras raridades.

E logo atr�s veio a ci�ncia, da zoologia e da bot�nica, e o mais com resultados positivos na medicina da �poca. Lembremo-nos do nosso famoso m�dico e naturalista, Garcia d� Orta, judeu portugu�s, natural de Castelo de Vide (1500), que passou a maior parte da sua vida pelo oriente, para onde embarcou em 1534, e deu um grande impulso � medicina e �s ci�ncias naturais, tendo falecido em Goa cm 1568. E a revolu��o na geografia e na astronomia, pela confirma��o, com a volta ao mundo por Magalh�es, das teorias de Cop�rnico e depois Galileu, entre as quais a da esfericidade da Terra e da mec�nica do sistema solar. E muitos outros casos se poderiam citar. Factos que s�o geralmente conhecidos. Foi uma verdadeira revolu��o no conhecimento. Foi um salto gigantesco em frente, depois de s�culos de modorra medieval, e o come�o de uma nova era de modernidade.

Isto sem esquecer a abertura que se deu igualmente para ocidente com a descoberta da Am�rica, com Colombo, de inicio como se sabe designada por �ndias ocidentais. Pois Colombo ao regressar da Am�rica inicialmente vinha afirmando ter chegado � �ndia por ocidente.

N�o se deve esquecer o grande movimento cultural europeu, geralmente mais conhecido nas artes, como o Renascimento, caracterizado sobretudo pelo regresso ao elemento cl�ssico, em recupera��o das ideias, da filosofia, e da arte grega e romana. Pintura, escultura, arquitectura. Literatura.

N�o deve esquecer-se tamb�m o grande movimento das ideias, que vinha trazendo inova��es e contesta��es, pondo em causa princ�pios estabelecidos e causando grandes problemas � Igreja pela afecta��o de alguns dogmas, e que em termos globais se pode designar pela Reforma. E ainda a sua ant�tese, a Contra-Reforma. E os deplor�veis efeitos negativos da Inquisi��o.

E o correspondente movimento das ideias pol�ticas com vista a estabelecer o regime do absolutismo real.

Com tudo isto, um enorme salto foi dado para a modernidade.

��������� N�o � necess�rio encarecer a import�ncia dos descobrimentos . As pessoas cultas de todo o mundo sabem isso. Depois da primeira viagem � lua pelos astronautas americanos, ouvi um deles, numa entrevista para a televis�o, declarar que o feito deles era consequ�ncia de, e nem t�o importante como, a viagem de Vasco da Gama. E que a cultura americana tem plena consci�ncia disso, mostra-o o facto de, recentemente, no lan�amento da nave espacial Discovery a 31 de Maio 98, simbolicamente ser transportada uma bandeira portuguesa e um mapa mundi da �poca das descobertas, para, de volta do espa�o, fazerem oferta � Expo, aonde os astronautas se deslocaram, tudo em homenagem e por altura da celebra��o dos 500 anos da viagem de Vasco da Gama.

Em todo o mundo se tem consci�ncia da import�ncia dos descobrimentos. Nem tanto assim c� em Portugal. Basta ver que estando o pa�s lamentavelmente submetido a uma nova cultura de esquerda, segundo a qual e na sua express�o mais radical, Vasco da Gama teria sido o primeiro e o maior colonialista, explorador e opressor, a comemora��o dos 500 anos da chamada descoberta do caminho mar�timo para a �ndia, foi camuflada, amenizada, com a nuance da celebra��o dos oceanos, por serem objectivos bastante compat�veis. Felizmente, hoje, as radicaliza��es j� n�o afloram com a mesma intensidade. A verdade e o bom senso, com o tempo acabam por chegar. Pois como diz o ditado, a verdade � como o azeite, acaba sempre por vir ao de cima.

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A chegada dos navegadores portugueses aos territ�rios africanos encontrou as popula��es vivendo num estado de civiliza��o bastante primitivo, repartindo-se por grupos maiores ou menores, formados por fam�lias, grupos de fam�lias, tribos e outros grupos maiores ou etnias, dominados por um l�der, um rei, chamado r�gulo ou soba, geralmente o mais forte ou o mais ambicioso, ou apenas o mais agressivo, o mais audaz ou talvez o mais ardiloso, ou aquele que for possuidor de muitas destas qualidades, e ocupando �reas de pastor�cia e ca�a, porventura alguma agricultura incipiente, bens que por vezes disputavam com os vizinhos, em guerras mais ou menos ferozes e sanguin�rias, como sempre aconteceu em povos primitivos. E sendo muitas dessas tribos ainda dadas ao canibalismo, n�o poucas vezes o pretenso inimigo acabava no espeto. No mais eram cobi�ados os gados, as mulheres e outros� �bens � de interesse de ocasi�o.

O canibalismo em certas etnias do mais rec�ndito da selva, perdurou at� h� pouco, aos dias de hoje. Lembro-me que ap�s a independ�ncia do antigo Congo, e da agita��o e mesmo confus�o que resultaram da retirada das autoridades belgas, v�rias etnias entraram em revolta, e as noticias que chegaram at� n�s davam conta que os �simbas � uma tribo do Congo central, apreciava muito o f�gado do inimigo, e para tanto nem se preocupavam em matar o inimigo, que at� poderia ser apenas qualquer estranho � tribo, retirando o f�gado � infeliz vitima, mesmo em vida.

��������� Por essa altura tamb�m, corria a vers�o de que, como tivessem sido enviados, para tentar manter a ordem e a paz, v�rias for�as sob as ordens da ONU, e oriundas de v�rios pa�ses, parece que um grupo de aviadores italianos, caiu nas m�os de uma dessas etnias antrop�fagas, e deles n�o restou mais do que umas pe�as dos esqueletos. Mais tarde, quando houve conhecimento do facto, que foi levado � ONU, o representante oficial do novo governo agora independente do Congo, depois de suscitada com veem�ncia a quest�o na Assembleia-geral, contritamente pediu desculpas � It�lia pelo lament�vel evento, justificando que tal aconteceu por erro, por engano. As pessoas acusadas pela It�lia de canibalismo tinham pensado que se tratava de tropas ... belgas...

Com canibalismo ou n�o, hoje mesmo a barb�rie � uma realidade em �frica. Basta dar um pouco de aten��o aos notici�rios da televis�o e aos jornais, onde frequentemente vemos ou lemos os tr�gicos acontecimentos em pa�ses como o Congo, Zaire, Ruanda, Burundi, Nig�ria, Lib�ria, Som�lia, Sud�o, ou aqui bem mais perto, na Arg�lia, etc com ou sem canibalismo, as breves imagens de horror, onde a selvajaria dos homens mais se assemelha � animalidade das feras. Pode-se imaginar um pouco o que ser�o as imagens totais na realidade dos factos...

Entre os nativos, e junto ao litoral, principalmente mais a norte, e nomeadamente a partir da Ilha de Mo�ambique, alguns habitantes j� se dedicavam ao com�rcio mar�timo, viajavam ao longo da costa, efectuando trocas espor�dicas. Haveria mesmo algumas �reas de circula��o comercial, e mar�tima, j� que os navegadores do Indico j� comerciavam na costa oriental quando Vasco da Gama l� chegou, pois como se sabe foi um piloto da regi�o que a partir de certa fase da viagem guiou a armada at� Calicut, na �ndia.

Muitas vezes cada tribo, mesmo vizinhas, falava l�ngua diferente, e em certos casos nem sequer se conseguiam entender. Como hoje. Excepto que entretanto se introduziu uma nova l�ngua comum, veicular, que a todos serve, a l�ngua portuguesa. No que toca a usos e costumes tamb�m havia bastantes diferen�as entre as tribos. Mas n�o tantas, � claro, como as diferen�as entre africanos e europeus.

O tempo decorre e as feitorias e entrepostos comerciais transformam-se em povoa��es e mostram serem j� as bases de futuras cidades. Lan�am-se os primeiros impostos. H� despesas de administra��o e manuten��o das for�as da ordem. O imposto � um meio de civilizar, � um elo de liga��o ao estado, � o estabelecer de uma rela��o de direitos e deveres, entre governantes e governados. Embora no sentir dos governados se dispense de bom grado tal dever.

��������� N�o h� ocupa��o de terras. Ainda nos fins do sec. XIX Lord Salisbury, ent�o chefe do governo brit�nico, e a quando da disputa do� territ�rio que foi depois o distrito de Tete, dizia que Portugal n�o tinha quaisquer direitos naquela �rea pois n�o a tinha ocupado. Parece de facto n�o ter estado no esp�rito dos portugueses a ocupa��o de terras.

Mas mais importante do que isso � o facto de tal ser imposs�vel j� que como se sabe o territ�rio e Mo�ambique tem uma �rea que � sete vezes e meia maior que a �rea de Portugal. J� se v� que dada a escassa popula��o do pa�s, era materialmente imposs�vel efectuar uma ocupa��o humana razo�vel, com popula��o branca. Mas estava realmente ocupado com povos ind�genas, que em geral aceitavam bem a soberania portuguesa.

A raz�o porque os brit�nicos suscitavam tais quest�es territoriais n�o era inocente, j� que a verdade � que tinham debaixo de olho amplas perspectivas de futuras e rendosas explora��es mineiras que aquela �rea oferecia, e que da parte portuguesa nem hoje mesmo � conhecida, salvo a efectiva explora��o do carv�o mineral do Moatize, durante certo tempo, e enquanto col�nia.

Portugal estava assim em �frica por uma fatalidade hist�rica. Do mesmo modo que os romanos estiveram por s�culos aqui, na Pen�nsula Ib�rica, e antes deles os celtas, os fen�cios, os gregos, os cartagineses e depois dos romanos os �rabes, a partir de 711.

Assim como temos uma L�ngua que derivou da latina, caldeada com as l�nguas e dialectos locais, e recebemos uma cultura latina, e de outros povos, tamb�m n�s lev�mos para �frica uma l�ngua e uma cultura de grau muito superior. � apenas a ordem natural das coisas. S�o as determinantes da hist�ria...

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Lentamente ia-se desenhando uma organiza��o administrativa, s�o nomeados alguns novos funcion�rios. Fixam-se alguns comerciantes. Continua a carreira de naus e carracas, gale�es e fragatas, entre a �ndia e Lisboa com passagem for�osa pelas feitorias e entrepostos. N�o s� pelo com�rcio, como pela necessidade de abastecer de �gua e alimentos frescos os navios, descanso das tripula��es, tratar doentes, reparar estragos nas naus e muitos outros objectivos.

Decorrem anos, d�cadas, s�culos.

Condenados v�o cumprir ali suas penas de desterro, acabando por se fixarem e muitas vezes acabarem por se estabelecer no com�rcio ou mais tarde na agricultura e darem um grande contributo no desenvolvimento da economia local.

Alguns aventureiros internam-se no mato selvagem � procura de riquezas, principalmente de marfim, em abund�ncia, e de ouro. Procura-se junto dos pequenos rios ouro de aluvi�o... Mas n�o resulta. H� not�cia de ouro na zona de Manica. Iniciam-se pesquisas e at� explora��es. Mas o almejado metal � quase uma miragem, casado com a rocha, por vezes com os veios a grandes profundidades, s� com grandes investimentos e t�cnicas apuradas se conseguiria uma produ��o que pudesse cobrir o disp�ndio. Nem a tentativa, h� curtas d�cadas, com a melhor t�cnica, logrou obter sucesso. A natureza nesse ponto � madrasta...

Iniciam-se, mais tarde, pouco a pouco explora��es agr�colas extensivas, de milho, de fibras industriais, como o sisal, o kenaf, o c�nhamo, mais tarde o algod�o, depois o ch�, os produtos dos extensos palmares, como os da Zamb�zia, c�lebres e os maiores do mundo, melhorando as esp�cies, desenvolvendo e melhorando produtos t�picos locais como o caju. E mais tarde o a��car e o tabaco.

Muitos outros produtos foram escolhidos pela sua boa adapta��o a certo clima, em certas zonas, como os citrinos, nalgumas zonas mesmo o trigo, depois a cana sacarina, de que ultimamente era um grande produtor e exportador, existindo cerca de uma d�zia de grandes empresas inteiramente dedicadas a essa produ��o. E o tabaco, de elevada qualidade, que nesta �rea de planalto estava a ser incrementado em for�a, e que a partir de certa altura era vendido, conjuntamente com o da Rod�sia que ent�o sofria o boicote econ�mico brit�nico, no mercado internacional.

Este crescendo, ainda que lento, de produ��es gerava emprego, alterava formas de trabalho e de regras sociais, exigia habilita��es liter�rias e t�cnicas, e dava possibilidades de melhoria aos mais aptos� e de mais iniciativa.

Enquanto o progresso ia avan�ando lentamente da costa para o interior, ou das cidades em direc��o ao mato, as popula��es nativas que tamb�m iam evoluindo, iam tamb�m entrando nesse quadro de desenvolvimento, e iam nessa medida sendo influenciadas e absorvidas e solicitadas a intervir em novas formas de trabalho e de vida em geral, adaptando-se a novas e variadas tarefas. Por outro lado gerava-se uma torrente, como um rio, da nascente para a foz, das popula��es do mato em direc��o ao litoral, ou �s cidades do interior, � procura de trabalho e melhores condi��es de vida, ou simplesmente � procura de uma esp�cie de eldorado, aquela natural ambi��o humana de vida nova e divertida, mais segura e confort�vel, mais limpa e garantida, portanto muito diferente e muito mais interessante que a do mato.

E da� resultava que em volta das cidades de cimento, modernas, de predom�nio do europeu, crescesse gradualmente a cidade chamada do cani�o, que era toda uma enorme cintura de palhotas, ou seja, as casas tradicionais de pau a pique, cobertas a colmo, isto �, capim, agora em geral tamb�m cobertas a zinco, que se constru�am de um dia para o outro, e onde se alojavam os imigrados oriundos do mato, ou do interior. Esta era uma situa��o t�pica impass�vel de evitar.

��������� Mas deve-se dizer que o desenvolvimento e o progresso vis�vel s� tiveram lugar nas �ltimas d�cadas. Pois, nos fins do s�culo passado, e segundo o famoso relat�rio de Ant�nio Ennes, de 1893, e a t�tulo de exemplo, a cidade da Beira, n�o existia enquanto tal, mas apenas como um povoado com pouco mais que um embarcadouro, umas poucas de habita��es e pequenas casas de neg�cio, as chamadas quitandas, numa restinga ladeada por um lado pelo Indico e por outro pelo rio Chiveve, um pequeno afluente pantanoso do lamacento Pungu�. Isto numa fase em que a Metr�pole se endividava para ir suprindo as necessidades administrativas do imenso territ�rio. Tudo o mais, caminhos-de-ferro, porto, e as liga��es ao interior s� muito mais tarde, lentamente, � que foram realizadas, quando come�ou a desenhar-se uma colabora��o com os territ�rios do interland e se pressentiu boa rentabilidade para tais investimentos. Mas principalmente e com um grande impulso, com a cria��o da companhia magest�tica, com poderes e compet�ncias especiais, a "Companhia da Beira" com uma concess�o para o lan�amento do Caminho-de-ferro da Beira, em direc��o � Rod�sia, e ao interior, a melhoria do porto da Beira, constru��o de hot�is e outras obriga��es em troca da sua explora��o por algumas d�cadas. E ainda o facto de numa certa fase ter surgido a not�cia da descoberta de ouro na zona de Manica... A febre do ouro fez esquecer as febres terr�veis do paludismo e da mal�ria e a doen�a do sono, que na �poca tornavam estas paragens bastante perigosas, pela sua insalubridade.

Em qualquer caso deve dizer-se e nunca esquecer que o desenvolvimento material dependia das m�ltiplas condi��es oferecidas por cada momento hist�rico, condi��es de desenvolvimento comercial, industrial, t�cnico e cientifico... e tamb�m condi��es pol�ticas e administrativas. E financeiras. Pois n�o se podem desligar umas condicionantes das demais.

A imita��o � uma forma natural de aprendizagem. Nesse caso conv�m que os exemplos sejam bons. Os aut�ctones iam aprendendo com os mais evolu�dos. Pela imita��o e outras formas. De resto, seria desnecess�rio afirmar que estes povos n�o sejam menos inteligentes que as pessoas de outras ra�as, e que aprendem bem ou mal tal como quaisquer outros. Tudo dependendo da sua capacidade natural e do interesse e aten��o postos em cada mat�ria. Muitas vezes se confundia ingenuidade natural e boa-f�, que resultava da vida simples e prim�ria, em contraste com a mal�cia de alguns colonizadores, com estupidez face � presuntiva intelig�ncia superior dos mal-intencionados.

Muitos enveredavam pelo com�rcio e montavam o seu pequeno neg�cio, geralmente de cantina ou estabeleciam um lugar no mercado da cidade. Outros mais dados � agricultura, abandonavam as formas tradicionais, mais elementares, tal como semear o milho s� ap�s as chuvas, com o terreno empapado, e as mulheres - eram as mulheres e os filhos quem tratava das sementeiras - lan�avam as sementes ao ch�o e com o calcanhar enterravam o gr�o de semente, e em vez dessa forma de fracos resultados, j� preparavam previamente os campos de cultivo, lavravam com bois ou mesmo com tractor, mais ou menos velho, mas funcional. Colhendo j� em quantidade bastante para realizar bom dinheiro com a venda do produto.

Em resumo, uns viviam ainda em economia primitiva, recolectora e pastor�cia, outros acresciam culturas com fins de subsist�ncia, outros iniciavam j� uma agricultura evolu�da e extensiva segundo o modelo pode dizer-se industrial.

Esta tend�ncia para o modelo industrial implicava j� infra estruturas, novas estradas, cada vez mais longe e cada vez melhor, e outros meios de comunica��o.

Implicava instru��o pelo menos a elementar. E por isso houve que construir novas escolas, que cada vez mais iam avan�ando mato dentro, desde postos escolares com professores africanos, nas pequenas povoa��es, onde pouco mais se ensinava do que a ler, escrever e contar, ou as escolas prim�rias com professoras europeias. Em povoa��es mais importantes, onde podiam tirar at� a quarta classe prim�ria, ou nas cidades escolas mais avan�adas, o liceu ou escolas t�cnicas.

Sem esquecer as escolas de mission�rios, fundadas sucessivamente ao longo dos tempos, dos s�culos, geralmente junto da alva igrejinha, � qual se anexava em geral um pequeno hospital e as constru��es pr�prias destinadas a apoiar as actividades agr�colas, indispens�veis para a subsist�ncia da comunidade religiosa participante. E que em muitos casos tal comunidade chegava a tomar dimens�o consider�vel e as escolas iam muitas vezes al�m do ensino elementar, sem falar no ensino religioso pela cria��o de semin�rios. E podendo dizer-se terem transitado por ali muitos milhares de nativos, iniciando-se pela m�o dos mission�rios nos mais elementares h�bitos da civiliza��o. Ali se cuidava dos corpos e das almas.

Vinham depois, nas cidades, escolas de outro n�vel, liceus, escolas de cursos t�cnicos, e ultimamente at� estudos universit�rios, como acontecia j� em Louren�o Marques. E cada vez com maior frequ�ncia de africanos. O que significa que se estava preparando uma elite africana, com a maior import�ncia para o futuro. Que j� n�o chegou.

Quanto mais se desenvolve o territ�rio e v�o sendo criadas condi��es satisfat�rias de vida, � europeia, para as fam�lias, maior atractivo exerce a col�nia em pessoas que desejam emigrar. Por isso mais imigra��o e mais colonos. E mais movimento de popula��es traz mais desenvolvimento: mais transportes, mais com�rcio, mais ind�stria, mais actividades crescentes por todo o lado. E servi�os, bancos e seguros. E outros.

Posso afirmar que desde a minha chegada a Vila Pery, em breves anos, se verifica que foi melhorada a estrada, de cerca de 200 quil�metros at� � Beira, rectificado o tra�ado e colocado novo pavimento de asfalto; foi asfaltada toda a estrada que liga Vila Pery a Tete de cerca de 600 quil�metros; foi terminada a liga��o a Louren�o Marques, em cerca de outros 600 quil�metros, podendo agora viajar-se da Beira a Louren�o Marques, numa extens�o de cerca de 1.200 quil�metros ou de Tete a Louren�o Marques numa extens�o de cerca de 1900 kms em estrada de asfalto.

Quanto a escolas, al�m das prim�rias, existia em Vila Pery apenas um col�gio particular que oficializava at� ao 5� ano do liceu, e uma Escola de Regentes Agr�colas. Mas durante o tempo da minha estadia, a cidade conseguiu que fosse criada e constru�da de novo uma Escola onde se ministrava o liceu at� ao 5� ano, (da �poca) mas com projecto para seguir at� ao s�timo, e em paralelo o Curso de Administra��o e Com�rcio, al�m de algumas especialidades do Curso Industrial. E a Escola de Regentes Agr�colas foi melhorada e estava j� em constru��o um novo edif�cio com melhores condi��es.

Tamb�m tinha sido posto em servi�o havia pouco tempo o novo hospital, aumentando de forma significativa a capacidade de atendimento existente na sa�de.

Daqui resultava mais popula��o africana alfabetizada, ou mesmo com habilita��es m�dias, aumento da popula��o escolar, crescente n�mero de africanos solicitados a intervir cada vez mais nas diversas tarefas e em novas fun��es, mais exigentes e melhor remuneradas, e melhor e mais ampla assist�ncia na sa�de.

���������� Deve-se salientar ainda quanto a uma melhoria da urbaniza��o e no que toca a alojamentos, que a C�mara Municipal do Chimoio disponibilizou um espa�o bastante amplo na periferia, um bairro residencial, onde procedeu �s infra-estruturas como arruamentos, instala��o de energia el�ctrica e de esgotos e agua canalizada, onde em cada talh�o, cedido em determinadas condi��es econ�micas, muito acess�veis, cada interessado poderia fazer a sua casa, portanto em regime de autoconstru��o, reduzindo assim o sempre grande problema da cintura do cani�o e da falta de habita��o condigna.

��������� Mutatis mutandis, pode-se referir o mesmo em rela��o a outras cidades e outras zonas de Mo�ambique, onde o desenvolvimento geral com melhorias ou obras novas em todos os sectores, foi id�ntico: quer dizer, Mo�ambique estava progredindo em for�a, impar�vel.

Mas tal descri��o do progresso geral n�o est� no nosso projecto, que � apenas um olhar, um relance, limitado no tempo e no espa�o, e sobre outras mat�rias.

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