PETIÇÃO “APELO À VERDADE SOBRE A DESCOLONIZAÇÃO” a dirigir ao Presidente da Assembleia da República Portuguesa,
O timbre oficial era o de "retornados" mas, nos bastidores da vida, os epítetos eram outros: "exploradores", "ladrões", "assassinos"… E o estigma perdurou. Fugindo da guerra que se disseminou a partir de 1975, fomo-nos espalhando pelo mundo. Sós, incógnitos ou fim de notícia nos meios de comunicação social, fomos o estandarte para a consolidação de uma democracia que relegou, para plano secundário, a vida de milhões de portugueses. Dilacerou-se a alma de quem, afinal, vivera a sua vida num dado enquadramento, mesclando-se, aculturando-se, recriando uma sociedade diferente em um espaço distinto. Criámos uma sociedade multirracial. Andámos nas mesmas escolas. Frequentámos os mesmos lugares de lazer. Dançámos a “rebita” ou a “marrabenta” em conjunto. Os poderes instituídos segregaram-nos, vilipendiaram-nos… E a reparação moral jamais sobreveio. Para se salvaguardarem mudaram o nome às coisas: ao abandono ignóbil e sem sentido se chamou a “exemplar descolonização”. E as vítimas de tamanha irresponsabilidade contam-se por milhões. O País teve o direito de colonizar. Teria o dever de descolonizar. E não o fez. E lançou os deserdados da fortuna para o esgoto da História… sem honra nem glória. António José Saraiva – o intelectual honesto e insuspeito que a História regista -qualificou o exemplar abandono como “a página mais negra da História de Portugal”! Volvidos 30 anos, exige-se o reconhecimento do indómito esforço que foi o nosso para a criação de uma sociedade singular que os famigerados “ventos da História” (a cegueira política, a cobardia institucional e a cedência a interesses outros) fizeram precipitar no caos.
Exige-se tão-só
A REPARAÇÃO MORAL, AFINAL, A QUE TEMOS JUS com a
REPOSIÇÃO DA VERDADE . pela revisão dos manuais escolares de História Contemporânea, . pela abertura da radiodifusão áudio e audiovisual do Estado à revelação do modus vivendi das distintas comunidades no PERIODO ANTERIOR AO DO ABANDONO,
com a REABILITAÇÃO de cada um e todos os que nados e criados ou só criados além-mar ergueram sob o signo do trabalho honesto verdadeiros IMPÉRIOS . por um pedido formal de escusas, pelos altos dignitários do Estado aos representantes eleitos das associações de espoliados.
E, à semelhança do que sucedeu noutras paragens, a consagração de um
DIA NACIONAL DOS REFUGIADOS DO ULTRAMAR.
Daí que formulemos a PETIÇÃO que visa a veicular uma tal pretensão.
A memória de PORTUGAL ETERNO impõe-no, exige-o veementemente, numa revisão de processos, a que a História há-de proceder.
Mandatários da Petição Mário Ângelo Leitão Frota, BI 643447, Apartado 4444, 3030-321 COIMBRA, PORTUGAL; Maria do Céu Anjos Simões Hall Castelo-Branco, BI 7592408, e-mail [email protected], BI 7592408, Apartado 202, ANADIA, PORTUGAL; Luiz Filipe Simões Hall Castelo-Branco, BI 7702695; João Tiago Castelo-Branco Charula de Azevedo, BI 10674996; Sónia Luísa de Campos Cunha da Costa Branco de Sousa Mendes, BI 7481691; Rui Alberto Simões Hall Castelo-Branco, BI 7857312; Fernando da Silva Inácio Gil, BI 7850585; Ana Maria Magalhães Carvalho, BI 1305735; Pedro Nuno Castelo-Branco Charula de Azevedo, BI 11135861; Óscar Simões de Oliveira, BI 7198259; Luís Henrique da Silva Carvalho, BI 7512833; Maria Celmira Pereira Bauleth (Riquita), BI 7949660;Tiago Miguel Neves Moura Ferreira, BI 11541781; Joana Rita Castelo-Branco Charula de Azevedo, BI 11888902. |
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