MACUA DE MO�AMBIQUE

 

25 DE SETEMBRO DE 1964

 

CHAI � CABO DELGADO - MO�AMBIQUE

 

 

RESUMO DE INTERVEN��ES EM V�RIOS SITES DA NET

Do in�cio, para agora� irei acrescentando o que ao assunto se referir.

 

Nota: Sendo este documento extenso, aconselho a sua impress�o.

 

No livro SAMORA, UMA BIOGRAFIA, de Iain Christie, pode ler-se a p�g. 63:

 

"A campanha come�ou com ataques de guerrilha na prov�n�cia de Cabo Delgado. A ac��o mais celebrada foi dirigida con�tra um posto administrativo portugu�s na vila do Chai. V�rios ataques foram realizados nessa mesma altura, mas o �nico caso devidamente relatado foi a opera��o contra o Chai. Todas as provas dispon�veis indicam que os primeiros tiros da guerra foram disparados no Chai.

Alberto Chipande, que conduziu uma d�zia de homens nesse ataque, escreveu no seu relat�rio:

O pol�cia veio e estacionou � porta da casa do chefe de posto, sentado numa cadeira. Era branco. Eu aproximei-me do pol�cia para o atacar. O meu tiro era o sinal para os outros camaradas atacarem. O ataque teve lugar �s 21 ho�ras. Quando ouviu os tiros, o chefe de posto abriu a porta e saiu � foi morto por um tiro. Para al�m dele seis outros portugueses foram mortos no primeiro ataque. A explica��o dada pelas autoridades portuguesas foi �morte por aciden�te�. Retir�mos. No dia seguinte fomos perseguidos por al�gumas tropas � mas nesse momento j� est�vamos longe e n�o nos encontraram (').

N�o foi exactamente Pearl Harbour. Alguns observadores estrangeiros eram visivelmente c�nicos em rela��o �s hip�teses de a Frelimo conseguir fosse o que fosse.

(1) Mondlane, Eduardo, The struggle for Mozambique, p.15"

 

Entretanto, algu�m ( que conhe�o e identifico) que estava no Chai, nessa mesma altura, escreve:

 

"Completam-se hoje as 21:00 de Mo�ambique (20:00 em Portugal) 39 anos do primeiro ataque (oficial) da Frelimo e sua guerra de liberta��o do pa�s. Foi no Chai, a norte de Macomia a escassos 10Kms do rio Messalo.
Tinha 8 anos, estava l�, assim como os meus pais, n�o morri... nem ningu�m morreu de ambos os lados, e lembro-me de quase tudo. Tudo aquilo se resumiu a 2 rajadas de metralhadora (uma de cada lado).
Demorou 1 ou 2 minutos e depois foi a fuga dos atacantes.
A minha m�e lembra-se que nesse dia a tarde, andou uma pessoa desconhecida ali nas lojas no Chai e com umas ligaduras na perna ou no p�. Andou umas 2 horas a "passear-se" pela localidade. Veio-se a saber mais tarde que essa pessoa desconhecida andou a fazer o reconhecimento da zona.
A data, hoje em dia, � comemorada em Mo�ambique como Dia das For�as Armadas."

 

Assim se escreve a HIST�RIA!

 

Um abra�o

Fernando Gil

 

O que � isto?
Vimos de Aljubarrota, Ourique, Ceuta ou T�nger?
O dia das "nossas" For�as Armadas (??????????) � um dia de nevoeiro em Alc�cer-Quibir?
Afinal h� respeito ou n�o pela hist�ria? Ou ser�o est�rias?
ai, ai, ai, ai.

 

Al� malta.

 

Este artigo � oportun�ssimo!

 

A mim n�o me surpreende nada, absolutamente nada. Ali�s, n�o surpreende a ningu�m, sobretudo a quem esteve a prestar servi�o militar nas zonas de guerra ou guerrilha, como lhe queiram chamar. Por acaso estive na zona de Macomia, Salima, Muaguide, etc., etc., junto � Serra Map�, quando fui militar. Fui operacional e sei do que falo, fazia em m�dia 3 opera��es por m�s e v�rias picagens ( detecta��o de minas) por m�s. (Por pura coincid�ncia,  no pr�ximo dia 04 vai haver, em �vora,  um encontro dos militares que estiveram em Muaguide). A Frelimo, militarmente, n�o era grande coisa, n�o fossem as minas.... Sempre o disse, desde quando era militar naquela zona, que se os "pap�is"  fossem diferentes, se fosse a tropa Portuguesa a praticar a guerra de guerrilha e a Frelimo a defender o territ�rio, a tropa Portuguesa tinha "goleado humilhantemente" a Frelimo. A Frelimo, militarmente, tendo em conta os apoios dos Russos e Chineses (incluindo homens e mulheres no territ�rio) e  a boa qualidade de equipamento militar que possu�a, al�m de conhecerem muit�ssimo melhor o "terreno que pisavam" e da habitua��o do clima, tinha por obriga��o de ter feito muito mais do que fez. A meu ver, respeitando opini�o contr�ria, a Frelimo como for�a militar era um ZERO. N�o havia militar que se aproveitasse, a come�ar pelos generais da Frelimo e a acabar nos guerrilheiros.

Se em 1964 no tal ataque que a Frelimo diz ter morto "meio-mundo" e que afinal, segundo o relato de quem l� esteve, mesmo que com a idade de 8 anos, n�o morreu ningu�m e que s� houve uma rajada e a fuga, em 1973 a guerra de guerrilha da Frelimo continuava a ser a mesma, ou seja, disparar e fugir com a arma virada para tr�s e "F� em Deus". A t�ctica era simples e �nica : disparar e fugir a correr, com a arma virada para tr�s, e parar s� quando o sol se punha.  

Com o passar do tempo a Hist�ria vai-se refazer. As verdades h�o-de aparecer ao de cimo. A propaganda n�o se pode sobrepor eternamente � verdade dos factos. 

� s� uma quest�o de tempo.

 

Beijinhos e abra�os

Salimo

 

Pois foi.........

 O in�cio de uma longa e dolorosa luta para ambos os lados. Hoje, todos, e creio que sem excep��o, compreendem a necessidade e o direito dos mo�ambicanos terem lutado pela liberta��o do seu pa�s de um regime que  a todos nos prejudicou, independentemente de muitas coisas boas que algumas pessoas possam achar, vividas ou edificadas naqueles tempos. Ningu�m, creio, p�e isso em quest�o.

Esta hist�ria � a Vida ...

� e foi a nossa Hist�ria e tamb�m a  hist�ria pessoal de cada um de n�s...

Mas, tamb�m � e foi a Hist�ria dos mo�ambicanos e a hist�ria pessoal de cada um deles....

Se formos capazes de compreender o �ngulo de vis�o de cada um, a perspectiva pessoal, com genu�no desejo de compreens�o, veremos que a dor das perdas � muito semelhante em todos os homens e torna-se mais f�cil aceitar a nossa pr�pria m�goa � luz de uma vis�o ampla dos acontecimentos hist�ricos....

 

"Onde estais lugares da minha inf�ncia que nunca mais os vi e pisei?

Hoje tive um desgosto e apetece-me refugiar nas mem�rias do meu passado...

Iria, sim......iria � Alfredo Keil e subiria o muro ao fundo, na rua e espreitaria o quintal do chancudas e roubaria uma....n�o,... duas ou tr�s mangas...Com�-las-ia devagar, sentada no muro,  lembrando as nossas brincadeiras  ...."N�o vale!!! Batoteiro !! ..........coito!!!!!!.........Fogo � barra no len�o !!!!! " A� vai alhooooooo"

"-Xiiiiiii a m�e do Vitinho vai lhe bater!!! j� perdeu as sand�lias outra vez......."

Oh Tucha!!! ( o Tuchinha j� n�o est� entre n�s....)...eheheh vais dar cabo da mi�da hihihihihihihhi....( o Tucha era gordo...)

Iria pela Augusto de Castilho abaixo, at� � Baixa e seguiria at� aos Criadores de Gado para tomar um chocoleite........ser� que ainda existem!? Chocoleite e torradinhas que as dos Criadores eram uma del�cia! Sempre pedia isso � minha m�e, ou ao meu pai.....huuummmmmmmmmmm.....Apanhava o machimbombo e iria.....ao Alto Ma�, ou � Costa do Sol ? Sei l� ...vagabundearia por aquela minha cidade e iria ver o Hotel Universo , na esquina da Pinheiro Chagas com a.......n�o me lembro!! Entraria no �trio do Hotel e relembraria minha av� saudosa, grande fazedora das melhores aletrias que comi e de carne assada com que nos banqueteava, quando nos seus dias de folga  do Hotel �a passa-los a nossa casa.....nesse dia havia jelly de todas as cores , aletria e arroz doce e aqueles mimos que s� as av�s sabem dar.........." Vai l� , minha menina!1-dizia-"Vai l� � Pigalle comprar oito arrufadas, vai" Sa�amos disparados j� a imagin�-las quentinhas , cheias de a��car por cima....na volta o ch� � espera..."

 

Quem foi que me tirou isto!? Esta possibilidade de poder ir ali �queles lugares? J�, amanh�!?

 

Ningu�m........ � a Hist�ria.......a Hist�ria dos povos , das na��es e....... se sobre a Hist�ria dos povos e das na��es pouco poder temos de a escrever a nosso contento ,sobre a nossa hist�ria pessoal  podemos dizer que as escolhas s�o sempre nossas, porque nos pertence sempre escolher face ao imposto. Mas a escolha � nossa!! Saibamos conviver com as escolhas a que fomos "obrigados". Am�n e beijos...........estou cheia de sono......

Bat�

 

Caro Sr. Fernando Gil:

Sa�de da boa; fico bem e li a sua mensagem.

Diga-me algo sobre si: Quem � e o que tem a ver com estas coisas de MO�AMBIQUE.

Como chegou ao meu endere�o e por que me enviou isto.

De certo n�o sabe, por isso lhe digo: Tenho sempre muito interesse em tudo o que se relaciona com a minha terra, mas... o eterno mas..., quando n�o h� rem�dio, remediado est� e mais, tudo isto para mim n�o s� � triste, como pior ainda: � traumatizante.

Um abra�o,

Novais

 

Caro Fernando Gil
A sua mensagem � muito boa e faz-nos recordar momentos hist�ricos que marcaram o percurso de Mo�ambique, mas quero discordar com a �ltima cita��o:
Entretanto, algu�m (que conhe�o e identifico) que estava no Chai, nessa mesma altura, escreve:(...)
-->  Tudo o que vem escrito depois deste in�cio perdeu a sua qualidade hist�rica porque esse ALGUEM, que estava no Chai, n�o foi identificado. A Hist�ria n�o se faz de anonimatos. Nenhum an�nimo ficou na Hist�ria.
Agradecia que o Fernando Gil identificasse esse ALGUEM para podermos fazer hist�ria pois esse ALGUEM d�-nos informa��es diferentes dos intervenientes directos identificados.
N�o a especula��o!!!
Um abra�o!!
Bas�lio Muhate

 

  Amigo Fernando Gil
  REALMENTE A HIST�RIA � UMA COISA MUITO COMPLICADA! Melhor seria que n�o existissem testemunhas

� para que a "verdade hist�rica" n�o fosse beliscada! A comemora��o da independ�ncia assenta numa mentira! Boa maneira

� de come�ar.
  N�o sabia desta falsidade hist�rica e estava convencido que o dia 25 era o dia do ataque. Afinal foi um ataquezito!
� Obrigado pela informa��o.
  Raul Ferr�o

 

Sinto orgulho de "conhecer" pessoas assim.

Um abra�o. Parab�ns pelo desmentido. Sinto orgulho de "conhecer" pessoas assim.

Um abra�o,

Delfina 

 

Caro amigo
Todos os que and�vamos em Cabo Delgado desde esses anos sab�amos que era assim.
Ali�s recorda-se do que est� escrito sobre o chamado "massacre de Moeda"?
Foram centenas de mortes, feitas pela tropa:
O pr�prio departamento de Hist�ria da Universidade Eduardo Mondlane j� h� v�rios anos publicou um estudo que foram apenas14 pessoas. Ainda est�o vivos Mo�ambicanos e Portugueses que l� estiveram.
Confira em
http://www.macua.com/Quantos_Morreram_em_Mueda.htm
Sendo sempre de lamentar quaisquer eventos destes, suponho ser importante que a VERDADE seja dita, para bem de todos, especialmente os que amam Mo�ambique.
Em rela��o a este facto, transcrevo:
-"Estimado Fernando Gil,
Nos n�o nos conhecemos pessoalmente, mas eu lembro-me de si quando era mi�do de Pto. Am�lia. Eu sou irm�o da Herondina (cunhado do falecido Guilhermino).
Pode publicar a minha mensagem sobre o 25 de Setembro de 1964.
Um abra�o.
To Alves"
Um abra�o e Viva Mo�ambique!

Fernando Gil

 

Meu caro Sr. Fernando Gil,

 A HIST�RIA nunca foi e nunca ser� o relato comprovado dos intervenientes nos factos. Ser� sempre a hist�ria que se deseja passar para a HIST�RIA.

Este � apenas mais um caso. N�o acontece unicamente em Mo�ambique.

A mem�ria de um POVO, segundo os entendidos, � de apenas de DUZENTOS ANOS, ou seja, o tempo da transposi��o oral dos relatos dos factos da gera��o anterior para a gera��o actual.

Ainda bem que a crian�a de 8 anos, naquela altura no Chai, a norte de Macomia, ainda tinha o h�bito de escutar sua m�e e desfrutar da transposi��o oral comprovada dos acontecimentos vividos pela mesma h� 39 anos num dia 25 de Setembro.

(Nessa altura vivia eu em Mo�ambique...)

Mas... e na HIST�RIA... o que perdurar� � aquilo que se pretendeu registar.

Abra�o do

Ernesto Veloso. 

 

 

Hist�ria de povos que se cruzaram. Hist�ria em que fomos intervenientes, meninas que �ramos, brincando, vivendo as despreocupa��es de uma inf�ncia feliz. Depois... depois... olh�mos em volta, conscientes e vimos o moleque com a nossa precisa idade trabalhando, de olhos humildes postos no ch�o e percebemos tudo. Percebemos que n�o t�nhamos o direito de ser t�o inteiramente felizes enquanto n�o nos d�ssemos as m�os e f�ssemos iguais.

O direito de o povo mo�ambicano escolher o seu caminho na Hist�ria foi justo e era inevit�vel. Estive com eles, chorei com eles. Agora, resta-lhes encontrar a via certa... e, t�o d�ficil que �, bem o sabemos... Portugal, do alto dos seus 800 anos de independ�ncia continua a procur�-la, n�o �? E h� trabalho infantil e h� maus tratos e h� pedofilia e h� pobreza e h� corrup��o e h�... escreveria folhas sem fim, n�o era?

 Beijinhos

�Clara

 

Caro senhor Fernando Gil,
Foi interessante ler as duas passadas sobre o que se passou no Chai no dia 25 de Setembro de 1964.  Obviamente um ataque a um posto administrativo n�o foi um acto de bravura.  N�o me admiro ver que a vers�o da Frelimo apresentada pelo malogrado Iain Christie que morreu de cancro alguns anos atr�s e hoje contestada.  Iain Christie, um propagandista da Frelimo, n�o fez investiga��es sobre este assunto; s� escreveu o que a Frelimo disse.
A vers�o da hist�ria de Mo�ambique apresentada pela Frelimo � muito deturpada e em muitos casos baseia-se na ideologia. Veja que desenfreadamente, a Frelimo falou da capitula��o das forcas armadas portuguesas em Mo�ambique ao malogrado comandante Marcos Mabote - um facto que todos nos sabemos n�o aconteceu. O conflito militar em Mo�ambique entre
Portugal e a Frelimo terminou com negocia��es  e o dito Acordo de Lusaka (uma fantochada do M�rio Soares e das autoridades revolucionarias da Esquerda portuguesa para entregar o poder em Mo�ambique aos seus companheiros ide�logos da Frelimo.)
Alguns de nos que conhecemos a Frelimo melhor o resto das pessoas, os dirigentes daquela organiza��o s�o mestres de mentiras e deturpa��es.
Francisco Mois�s

 

Meu caro amigo                                          

Gostei de ler as duas vers�es, e a prop�sito lembrei-me que na mesma regi�o, n�s, os alem�es e os ingleses  t�nhamos v�rias vers�es, algumas muito diferentes, para os mesmos epis�dios ( veja-se a Guerra 1914 - 1918, norte de Mo�ambique -  ) Acontece aos que t�m hist�rias comuns, como nas fam�lias. Diz a regra que ser� preciso passarem pelo menos 50 anos ap�s determinada �poca, para se poder fazer Hist�ria, e s�-lo por pessoas credenciadas e que n�o tenham sido intervenientes. Por isso � que tamb�m determinados arquivos s� podem ser consultados ap�s 50 anos de se terem arquivado, da morte ou do fim de determinado per�odo. Estas 2 vers�es e outras ir�o servir para se aproximar mais da verdade, e j� t�m a vantagem de serem dos dois lados.                                                                                                                                                                                               Um abra�o   Jo�o Pessoa de Amorim                                                                          PS: Cerca dessa data de 25NOV1964, era eu Ten. na 2� comiss�o, ( a 1� foi em Angola  de 1961 a 63 ) e estava a comandar  a 1� Companhia de Ca�adores do Batalh�o de Nampula, estacionada no O�sse, a poucos klms de Diaca no cruzamento da "picada" Moc�mboa da Praia  - Mueda, com a "picada" ( estrada dos Oliveiras ) que vinda do sul passava pelo Chai e ali terminava no O�sse; o R�gulo O�sse, que  eu tinha conhecido semanas antes ao passar para Moc�mboa da Praia, fugiu com toda a popula��o antes de a minha Companhia ir por umas semanas para o O�sse na inten��o de fazer regressar a popula��o. Dali a Companhia foi para Diaca at� Junho 1975, de Julho a Setembro estivemos em Nangololo (Opera��o �guia ) onde ainda estava um padre mission�rio no  c�lebre complexo cat�lico. Quem diria nesse tempo que voltaria a Cabo Delgado na 4� comiss�o de 1970 a 1974, 1970 a comandar a Companhia em Palma, seguido de 3 anos a  comandar, organizar e a coordenar os  GE's de Cabo Delgado ( de 4 chegaram a 22 com um efectivo de 60 homens cada ) 

 

 O descr�dito de uma hist�ria estar� em evid�ncia quando uma testemunha de 8 anos de idade contrap�e a veracidade da mesma?

Tratando-se de uma narra��o que provavelmente servir� de ensino a uma gera��o de um povo colonizado nos tempos passados e havendo falsidades, acho que, neste caso concreto, Portugal ou historiadores portugueses deveriam p�r em causa a mesma pois desse modo evitaria at� situa��es desagrad�veis.

Espanta-me que esse livro tenha sido publicado com tamanha mentira. Ou a mentira vir� de outro lado? Com todo o respeito pela idoneidade de quem n�o conhe�o, mas porque quem o conhece tenho-o por cred�vel, n�o estar� a confundir as datas ou outra situa��o diferente?

Note-se que n�o defendo a hist�ria mas seria justo que at� prova ao contr�rio, os factos descritos no livro sejam considerados ver�dicos.

Tamb�m me atreveria a transportar o cinismo dos observadores estrangeiros na vit�ria a que se propunha a Frelimo conseguir, para acontecimentos actuais, como os EUA e os aliados t�m estado a sofrer baixas com as guerrilhas no Iraque e no Afeganist�o.

N�o sou estratega militar mas diria que em posi��es contr�rias, os americanos como guerrilheiros h� muito que teriam capturado Bin Ladden e Sadam Hussein.

Mas a hist�ria escreve-se com factos reais e n�o com suposi��es de eventuais mudan�as de posi��es.

Na guerra entre a Frelimo e a tropa portuguesa, se vencedores houve, foram os povos mo�ambicano que viu o reconhecimento e o direito da sua identidade nacional como mo�ambicano e o povo portugu�s que deixou de chorar os seus filhos a morrerem numa guerra que afinal nada de bom lhes trouxe.

Eu diria que esta data dever� ser lembrada e comemorada apenas por mo�ambicanos a semelhan�a do 25 de Abril que s� interessa a portugueses. S�o dois pa�ses diferentes com uma liga��o comum no passado com tend�ncia a cair no esquecimento pelas gera��es que nos seguem. Assim aconteceu com Portugal quando se tornou independente de Espanha que n�o nos lembra a confirma��o das realidades das hist�rias que lemos nos livros das escolas. A n�o ser que qualquer dia algu�m refa�a a hist�ria e conclua-se que se calhar Vasco da Gama era um emigrante ucraniano que se ofereceu como carne para canh�o e p�s-se na aventura de descobrir caminhos mar�timos...que muitos �rabes j� os percorriam.

JTavares

 

A Crian�a que, ent�o tinha 8 anos, hoje � homem. E sua M�e est� viva. Mas haver�o ainda mais testemunhas presenciais, inclusive no local. Eu ouvi-as e j� sabia que tinha sido assim. Mas n�o estava l� na altura do ataque. N�o o disse antes porque n�o estava l�.

Ali�s toda esta HIST�RIA � muito recente e ainda com muitas testemunhas vivas. Pois uma coisa � a aprecia��o, antecedentes, consequ�ncias, etc, e outra s�o factos.

Naquele tempo n�o havia internet...

Um abra�o

Fernando Gil

 

Obrigado pelo esclarecimento Fernando Gil,

 Agora sei que a cita��o foi de um senhor Chamado To Alves. Eu prefiro que as coisas sejam claras quando se trata de factos hist�ricos. 

 

1.      O T� Alves deve ser Portugu�s ou descendente de portugueses. Tinha 8 anos, ouviu apenas 2 rajadas de

����� metralhadoras....diz que ningu�m morreu....

 2. Eduardo Mondlane diz que n�o foi Pearl Harbour...mas serviu para mostrar que a frelimo podia fazer algo...

�3. Alberto Chipande, Mo�ambicano, que era o chefe do pelot�o, deu o primeiro tiro e disse que morreram 6 Portugueses

 Acho que temos de alterar o conte�do da Hist�ria de Mo�ambique e  T� Alves deve ser citado nos livros de hist�ria.

 Sobre o massacre de Mueda,  mesmo que fossem 10 MO�AMBICANOS mortos, n�o deixaria de ser um massacre para�� um povo explorado e colonizado na sua pr�pria terra. 

 Fico muito desapontado quando essas declara��es referem-se a "APENAS 14" pessoas.  Se algu�m da nossa fam�lia estivesse l� nunca ir�amos admitir o termo APENAS porque independentemente do n�mero de pessoas, eram Mo�ambicanos a lutarem por uma causa justa.

 Vou recordar-lhe um facto actual que talvez possa faz�-lo reflectir melhor sobre os factos hist�ricos e a veracidade dos mesmos em rela��o aos intervenientes.

 Os EUA ocuparam o Iraque, mas se vc for a acompanhar as informa��es dos maiores �rg�os de comunica��o do mundo vai notar que eles (Os EUA) n�o revelam o n�mero exacto de Americanos mortos no Iraque. Sempre t�m uma tend�ncia de diminuir o n�mero para mostrar uma imagem "positiva" do seu desempenho.

 Possivelmente em Mo�ambique tenham existido outros massacres, mas o massacre de Mueda marcou os Mo�ambicanos e ficou na Hist�ria. Mesmo que fossem realmente 14 pessoas, o massacre ficou na Hist�ria e foi testemunhado.   Agora, se algu�m quiser alterar ou acrescentar dados a Hist�ria de Mo�ambique, que traga argumentos suficientes para convencer a uma na��o inteira.

 Sinceramente, n�o acredite que algum Portugu�s possa alterar a Hist�ria de Mo�ambique principalmente no que se refere ao per�odo colonial. Seria o mesmo que um Nazi vir a p�blico dizer que Hitler n�o massacrou muito como dizem.

Um abra�o!!

Bas�lio Z. Muhate

 

O problema �, como diz um amigo meu: Est� escrito... passou a ser verdade!

E assim, muita vez, se faz a hist�ria.

Esse "algu�m" que estava no local quando se deu tal acontecimento deveria escrever ao editor e ao escritor do livro e chamar-lhe mentiroso e repondo a verdade dos factos.

Al�m disso divulgar a sua "verdade hist�rica" por todos os cantos onde encontre um refer�ncia a esse livro. N�o resolve mas ajuda.

Francisco

 

Ol� Julinho.

Ol� a todos.

 

Creio que o meu amigo Julinho, quer fazer prevalecer, a todo o custo, o que  Senhor Alberto Chipande escreveu no seu relat�rio, pondo em d�vida o que testemunhas oculares, ainda vivas, presenciaram, s� porque uma das testemunhas tinha 8 anos. At� parece que uma crian�a de 8 anos, s� pelo simples facto de ter 8 anos e n�o 88 anos, n�o pode relatar o que viu. N�o sei ao certo que idade tinham os "Mi�dos" que presenciaram a Nossa Senhora de F�tima mas, depois de aturadas investiga��es, chegou-se � conclus�o de que eram cred�veis. A verdade � t�o verdade se relatada por uma crian�a de 8 anos como quando relatada por algu�m mais crescido. Se calhar o tal mi�do de 8 anos deixou de ser cred�vel porque n�o � seguramente de ra�a negra. Se � por uma quest�o de ra�as, ent�o estamos conversados! N�o alinho em racismos.

E porque � que as testemunhas oculares haveriam de confundir as datas ou, como dizes, "situa��es diferentes"? S� porque elas, as testemunhas, tiveram a coragem de denunciar uma mentira?

J� agora, tu que dizes conhecer o Senhor Alberto Chipande ao ponto de acreditares nele, podes prestar um enorme SERVI�O ao martirizado Povo Mo�ambicano e � sua Hist�ria. E � muito simples. Basta perguntares ao Senhor em quem acreditas, os nomes das pessoas que ele diz ter abatido, no tal ataque do dia 25 de Setembro de 1964 �s 21 Horas. De certeza que ele n�o se deve ter esquecido desse dia t�o importante que passou a ser hist�rico. Em circunst�ncias id�nticas ningu�m nem mesmo tu, se for verdade, se esqueceria dos nomes das pessoas abatidas.

Vou copiar e colar o teu texto para nos ajudares a compreender o que queres dizer: "...mas seria justo que at� prova ao contr�rio, os factos descritos no livro sejam considerados ver�dicos." . Se bem leio, dizes que at� prova em contr�rio... Mas caro amigo Julinho, tens provas do contr�rio. As pessoas que presenciaram a "cena" testemunham o contrario. Que outras provas queres? Que sejam pessoas da ra�a negra a relatar o que essas pessoas viram? - Era o que faltava...

 

Vou copiar e colar o teu texto para nos explicares melhor :" Na guerra entre a Frelimo e a tropa portuguesa, se vencedores houve, foram os povos mo�ambicano que viu o reconhecimento e o direito da sua identidade nacional como mo�ambicano ... ". A meu ver o Povo Mo�ambicano, coitado, n�o ficou  a ganhar nada a n�o ser a fome, a mis�ria, a morte por doen�as e pen�ria, o desprezo dos oportunistas que em nome do povo se enchem a r�dos, dos"chicos espertos" que s�o os actuais governantes desse maravilhoso Pa�s, que se "lambuzam" em iguarias enquanto o povo morre de fome e de mis�ria . Quem ficou a ganhar foi a classe dirigente, os seus servidores e os novos burgueses a quem s�o dados privil�gios para que os possam defender. Foi essa minoria que ficou a ganhar, n�o foi o Povo. Aquando da Independ�ncia ainda chegaram a ganhar um Ditador e Opressor que a meu ver, como tu dizes at� prova em contrario, era um doente mental. T�o doente que conseguiu por o seu Povo na mis�ria, na pen�ria, e de tal modo que, enquanto foi vivo, Mo�ambique era o Pa�s mais pobre do Mundo logo a seguir � Eti�pia. Enquanto esse doente mental e sanguin�rio foi presidente de Mo�ambique (um Pa�s riqu�ssimo em recursos de toda a natureza) o Povo Mo�ambicano vivia das migalhas que sobravam da "esmola" da Comunidade Internacional. Digo bem, que sobravam, porque a maior parte dessa d�divas destinadas aos pobres e esfomeados eram desviados pelos governantes desse regime ditatorial, pelos seus servidores e pelos novos burgueses que n�o se cansam de defender esse regime fascista, para benef�cio pr�prio em preju�zo dos mais desfavorecidos para quem serviria para saciar a fome. N�o me digas que desconhecias que esses produtos provenientes de d�divas eram vendidos � vista de toda a gente no mercado negro?!!!!!!

 Se achas que o Senhor Vasco da Gama era Ucraniano, ent�o, meu caro amigo Julinho, tens raz�o. O "sacana" do mi�do branco mais a sua m�e branca est�o a mentir e quem est� a falar verdade � o Senhor Comandante Chipande porque � "preto". Mesmo o teu amigo Salimo e outros que estiveram na zona de guerra tamb�m est�o a mentir porque n�o s�o "pretos" porque, na verdade as tropas da Frelimo n�o disparavam e fugiam com as armas �s costas. Eles, os guerrilheiros eram os maiores s� pelo simples facto de que eram "pretos" muito embora n�o tivessem nada de valentia.

 Julinho tem um pouco de ju�zo, p�!!!! J� tens idade para isso, p�!!!! O Pai Natal n�o existe e os beb�s n�o s�o trazidos pelas cegonhas, mesmo que o Senhor Chipande diga o contrario.!!!

 Mas, vou esperar que perguntes o Sr. Chipande os nomes das pessoas que ele t�o valentemente abateu a tiro no tal dia hist�rico. Assim, o assunto fica definitivamente esclarecido e resolvido.

 Um abra�o para ti

Beijinhos e abra�os,

Salimo 

 

Amigo Fernando Gil

Acredito plenamente que o sucedido tenha sido como a referida testemunha disse, assim como a exist�ncia de outras presenciais.

Mas temos de crer que se a hist�ria n�o � como se narra no dito livro (que n�o conhe�o) e que a mesma poder� vir a ser mal contada no futuro e criar at� dissabores entre dois povos irm�os, algo est� mal e estando mal, ter� de ser emendado antes que se alastre.

A hist�ria, n�o temos d�vidas, � recente, existem testemunhas vivas desse passado e o que me confunde � a credibilidade e a aceita��o do dito livro e que n�o � despercebido na sociedade portuguesa. Ali�s diria at� que provavelmente nesta comemora��o em Mo�ambique estar�o representantes portugueses e que ouvir�o esta hist�ria.

Se mencionei a tenra idade na altura da testemunha (em que salvaguardo o meu respeito) e que hoje tem a minha idade, havia situa��es estranhas em que muitas vezes quer por boatos, quer por desconhecimentos quer at� pela tens�o do in�cio da guerra, eram desviadas da sua realidade levando muitos a pensarem no pior. Imagine que um indiv�duo a passear-se com ligaduras no p� ou na perna  pela povoa��o, chama de imediato a aten��o e se o ataque seria surpresa, n�o seria esta a melhor maneira de sondar o terreno. Mas t�cticas s�o t�cticas e cada um usa a que melhor lhe parecer.

Queria dar um exemplo de factos estranhos, no ano de 1973 se n�o me falha a mem�ria, em Nova Mambone na passagem de ano correu o boato que os ditos terroristas atacariam a vila de modos que todos os de bem deveriam munir-se das suas armas e ficarem de preven��o. Mas um funcion�rio da Administra��o, Aspirante, quando solicitou uma arma foi-lhe negada por ser negro. O resultado, principalmente entre os mais novos reinou a desconfian�a que o Sr. ... era tamb�m terrorista. N�o nos era dada qualquer explica��o pela descrimina��o, inclusive assisti conversa de alguns mais velhos onde se referiam ao dito que seria um infiltrado j� que ocupava um bom cargo para os da sua ra�a. Mas o homem afinal queria cumprir com a sua obriga��o na era, pois se n�o se manifestasse, seria considerado marginal, mas manifestando-se e perante a recusa, o sentimento foi id�ntico. N�o aconteceu nada, dias depois foi preso um indiv�duo que estava de passagem por aquelas bandas mas como falava muit�ssimo bem a l�ngua de Cam�es suscitou a suspeita que seria ele o tal. Foi espancado pelo Administrador local num interrogat�rio e viu a dose refor�ada com a chegada de Agentes da PIDE que o levaram nunca se soube para onde nem quem seria tal personagem. Mas ficou-nos na mem�ria que um da Frelimo (seria???) tinha passado pela aquela pacata vila.

Um abra�o.

JTavares

 

Al� Salimo

N�o vou fazer qualquer coment�rio a tua resposta. Ali�s, n�o � de mim querer for�ar a raz�o, gosto de analisar incondicionalmente todos os itens para concluir o meu racioc�nio.

Copio apenas esta linha

 Que outras provas queres? Que sejam pessoas da ra�a negra a relatar o que essas pessoas viram? - Era o que faltava...

 O que dizer com tudo isto? Eu acredito no Branco, no Preto, no Amarelo, no Castanho, no Crist�o, no Mu�ulmano, no Hind�, no Budista....N�o me compete desacreditar algu�m pela sua ra�a ou religi�o.

Um abra�o.

Julinho

 

Importante este testemunho para a mem�ria de todos!
Isabel


Obrigado.
A hist�ria ainda est� por contar....
Armando Cr�

 

Caro Fernando
Me lembro de que em Mo�ambique quando l�amos algo do Gungunhana fic�vamos de pelo arrepiado s� de pensar que esse "monstro" havia existido. Hoje em Mo�ambique, ele � um dos primeiros her�is nacionais... uma esp�cie de Viriato na Historia Lusitana. Que os Romanos certamente registaram na sua Hist�ria com outro car�cter que n�s n�o aprenderemos nunca.
Mas tens toda a raz�o em dizer:"Assim se escreve a HIST�RIA!"
A Hist�ria realmente tem sempre os seus par�nteses, par�grafos e travess�es... usados ao gosto do Historiador (ou poder governante) E ela sempre ser� incompleta porque eh escrita sempre por �pticas ou pontos de vista diferentes. A omiss�o de informa��es, sejam elas por motivos pol�ticos ou outros quaisquer, faz com que ela jamais seja completa. Por isso � bom sempre verific�-la de acordo com os escritos de todos os lados envolvidos, e no final se tirar a prova dos nove. E mesmo assim, jamais teremos a Hist�ria de facto na m�o. Pois o leitor tamb�m faz a sua pr�pria interpreta��o.
Mas acho extremamente interessante e envolvente o tema Historia, porque n�s somos parte dele. Pena que conhecer a Historia, n�o significa aprender com o passado. O facto do estudo do passado da Humanidade ajudar a entender certas situa��es actuais, continuamos a n�o aprender com a Hist�ria, e de ciclos em ciclos repetimos exactamente o mesmo erro.
Ali�s isso fazemos na nossa vidinha di�ria n�o eh? Interpretamos o nosso passado de acordo com o nosso gosto e fazemos batota na hora de fazer a prova dos nove...
Mas nem por isso deveremos deixar de dizer, e VIVA A HIST�RIA!
Abra�os
Ant�nio

 

Eu ainda vou ter a oportunidade de falar com a minha m�e sobre isto, mas eu consigo-me lembrar que estariam l� as seguintes pessoas de ra�a branca:

- O Chefe do Posto, a esposa e cunhada, (os nomes n�o sei)
- Um Adjunto (aqui n�o tenho tanta certeza, mas acho que sim. O nome tamb�m n�o sei)
- O Agente do algod�o (Sr. Sampaio, esposa, filho e filha)
- Fam�lia Alves Ferreira (o meu pai, a minha e m�e e eu). A Herondina estava a estudar em Nampula.

- Estavam tamb�m l� estacionados elementos brancos da policia (uns 5 ou 6), mas s� um deles � que l� ficou naquele fim de tarde e principio da noite porque os outros, acompanhados pelo Chefe do Posto e seu Adjunto (o tal da minha duvida) foram para os lados do Messalo fazer umas rusgas porque j� se sabia de alguma subvers�o na zona. O grupo do Chefe do Posto s� regressou por volta da meia-noite.

T� Alves

 

Bom dia,

Obrigado pelo relato das opini�es (mais diversas, claro). Como v� a pol�mica esta instalada. N�o � nada f�cil para muitos saber desta verdade. Muitas mais haver�o. Esta � a mais marcante porque foi onde tudo come�ou oficialmente.

De maneira alguma estou atingir algu�m. N�o foi nem e essa a minha inten��o. Sei simplesmente a verdade dos factos porque os presenciei e porque devem haver mais pessoas que sabem disto mais detalhadamente (documenta��o oficial).

Escrevi a mensagem no sentido de lembrar a data que e fundamental e irrevers�vel. Come�ou a� a guerra de liberta��o do Pa�s.

Fui a favor da independ�ncia do Pa�s. Por isso, tinha �enterrado� o 25 de Setembro de 1964. Em 1975 at� fiquei Mo�ambicano como muitos outros e contribui para o Pa�s nas mais variadas formas. O meu Pai continuou a investir depois dos Acordos de Lusaca, n�o desistiu. Foi outra desilus�o porque os novos governantes n�o se preocuparam com o Pa�s e o seu Povo, primeiro, mas sim com objectivos ideol�gicos locais e de pa�ses vizinhos. Eventualmente, renunciei � nacionalidade n�o por quest�es raciais como alguns poder�o pensar. Fiquei mais uns anos. Por isso, ACREDITEI� para me desiludir um pouco mais tarde.

Sempre preferi outros moldes de independ�ncia, e n�o os acordados em 1974. Esses moldes deveriam ter come�ado no princ�pio da d�cada dos 60 quando as opini�es se come�aram a formar na altura. Como n�o houve di�logo poss�vel, o descalabro come�ou-se a desenhar.

Conheci pessoalmente o Presidente Samora em 2 circunst�ncias completamente diferentes. Uma porque ele foi passar ferias a Pemba. Eu vivia l� e outra quando ele fez uma visita de trabalho � Beira onde eu estava a trabalhar na altura. Dialogamos durante uns 5 a 10 minutos. Nunca sobre o assunto de 25 de Setembro, claro. Conheci muito bem o Jo�o Ferreira (que penso eu, encetou a fuga de avi�o com o Jacinto Veloso) e um irm�o mais novo do actual presidente Chissano entre outros quando estes 2 trabalharam e viveram em Pemba por volta de 1977, mais ano menos ano. Infelizmente, nunca mais os contactei desde que sai do Pa�s.

Li h� 4 ou 5 anos excertos de um livro escrito por jornalista(s) do Di�rio de Noticias (???, n�o tenho a certeza)  ou onde se relatava o tal ataque, e onde a coisa mais certinha (mesmo assim com alguma lacunas) que l� estava era o pequeno mapa do Chai. Vi mais tarde (1999 ou 2000) um programa do Canal 2 que tamb�m se referia ao mesmo ataque acho eu, mas nunca me passou pela cabe�a escrever sobre isto. E fi-lo na Quinta-Feira com o texto mais simples que encontrei, e para falar de um assunto como tantos outros (outras datas s�o lembradas).

N�o fa�o ideia se algu�m da Fam�lia Sampaio � hoje ainda viva. Os mi�dos teriam na altura 3 a 5 anos. Infelizmente a minha M�e n�o se lembra do nome do Chefe do Posto ou de qualquer nome dos pol�cias ali estacionados na altura. No entanto acredito perfeitamente que alguns estar�o ainda hoje vivos porque o Chefe do Posto e homem para ter uma idade na casa dos 70s. O pol�cia que disparou a G3 (?) tamb�m era jovem para uns quase 30. O Sr. Sampaio era um pouco mais velho.

Tamb�m acredito que haja alguma coisa escrita e guardada sobre isto nos servi�os secretos da altura, n�o para se verificarem provas da verdade (para mim) ou mentira (para os que acreditam no relato da Frelimo), mas para se identificarem os nomes das pessoas (brancas), especialmente os da Administra��o P�blica e Pol�cia, para que essas pessoas (ainda vivas) ainda possam ser contactadas. Isto tudo foi de certeza relatado com nomes dos intervenientes.

Eu sei que os servi�os (n�o os da Pide) existiam porque eu mais tarde, e j� aluno crescido, recebi explica��es de um elemento desses servi�os em Porto Am�lia. Sei que estes servi�os trabalhavam INDEPENDENTES dos da Pide-Dgs no edif�cio do Governo Provincial, ala do edif�cio paralelo � estrada que ia para a Fazenda.

� tudo por agora.

Um abra�o

T� Alves

Senhor  Fernando Gil;

Senhor Professor Mois�s.

Permitam-me, por favor, que vos manifeste os meus mais humildes e reconhecidos agradecimentos, ao Sr. Gil por  ter publicado o artigo e por ter ajudado a esclarecer a situa��o e ao Sr. Professor Mois�s por, em poucas mas s�bias palavras, ter resumido o que na realidade acontece com a hist�ria ou pseudo-hist�ria contada por Frelimo. S�o estas opini�es que ajudam a esclarecer a Hist�ria que um dia ter� que ser escrita sobre o Pa�s que todos n�s amamos.

Um muito obrigado a ambos,

Salimo

 

Ol� amigo Julinho.

 Fico satisfeito por ver que afinal acabaste por reconhecer que h� testemunhas vivas e cred�veis que presenciaram os factos relatados e que contradizem, com toda a propriedade, o que dizem que o relat�rio do Sr. Senhor Chipande diz sobre os acontecimentos de Chai.

A interven��o do Senhor Professor Mois�s � bastante valiosa para nos ajudar a compreender o resto.

Para todos os efeitos, mesmo n�o concordando, gostei da tua animada interven��o.

Um grande abra�o amigo

Salimo

 

Ol� amigo Julinho.

 

Fico satisfeito por ver que afinal acabaste por reconhecer que h� testemunhas vivas e cred�veis que presenciaram os factos relatados e que contradizem, com toda a propriedade, o que dizem que o relat�rio do Senhor Chipande diz sobre os acontecimentos de Chai.

A interven��o do Senhor Professor Mois�s � bastante valiosa para nos ajudar a compreender o resto.

Para todos os efeitos, mesmo n�o concordando, gostei da tua animada interven��o.

 

Um grande abra�o amigo

Salimo

 

Oi Salimo

N�o sei porque dizes que eu acabei por reconhecer algo que n�o reconheci. Quando o fizer e se o fizer, direi. Uma parte do texto do Dr. Mois�s s�o de certo desprezo pela Frelimo o que � natural e comum em muitos de n�s que deixamos a nossa terra devido a situa��es criadas por este partido. Eu pr�prio sou um deles e por isso gostaria de repetir, n�o fui, n�o sou e n�o querendo cuspir para o ar, n�o serei jamais da Frelimo assim acontecendo o mesmo no partido em que fila o M�rio de Soares (e aqui � que concordo com o Dr. Mois�s quando se refere a esta figura que � da minha total repulsa). Mas isso n�o me obriga a desacreditar na hist�ria que se escreveu, assim como acredito na B�blia at� que algu�m me prove que os factos descritos na mesma foram falsos como algumas religi�es e for�as (a Frelimo foi uma delas) querem fazer crer ao mundo.

Que o escritor Ian Christie tenha sido um propagandista da Frelimo, acredito, mas continuo incr�dulo pela aceita��o da hist�ria narrada a confirmar-se a sua falsidade. Porque n�o h� desmentidos de credibilidade internacional, n�o as nossas suposi��es ou relatos de uma ou duas pessoas. No s�bado passado estive a conversar com um amigo nosso que esteve preso nos campos de reeduca��o (concentra��o) cerca de tr�s anos (desde 1974 a 1977), passou horrores como devem calcular e s� gra�as a amigos que muito se esfor�aram para o tirar de l� e manda-lo para Portugal e falei-lhe nessa quest�o do 1�. tiro e segundo ele morreram cerca de tr�s pessoas e houve v�rios feridos. Este indiv�duo n�o esteve l� nesse dia mas devido ao conv�vio nos tais campos com v�rios presos de todo o Pa�s, ouviu muitos relatos da guerra. Assim como eu e como muitos, tamb�m cr� ter havido mortes e outras baixas, talvez n�o muitas como se pretendeu fazer crer nos discursos e mobiliza��es pol�ticas que se seguiram p�s guerra.

E este amigo concluiu com uma raz�o que � a de agora de nada nos servir e discutir este ou aquele acontecimento porque feridas h�-as e muitas, ele mesmo � uma figura que percorreu v�rios dos tais campos de reeduca��o mas j� n�o guarda rancor a ningu�m pelo que passou embora jamais se esque�a. Chegou a estar com uma Kalacha encostada a cabe�a a espera de ouvir o estampido que lhe livraria para sempre de tal tormento. Mas nada disso aconteceu e hoje d� Gra�as a Deus o estar vivo e o tempo encarregou-se de lhe aliviar dos pesadelos que teve durante muito tempo.

Talvez por isso eu me fique por aqui em rela��o a esta data mantendo a minha posi��o inicial.

S� queria dizer ao Salimo que eu e creio que a Suzana , a Quinita, Bilocas etc. etc. pessoas da minha fam�lia em que as nossas Av�s (Mariana, Race, Rosalina) de ra�a negra, pretas, e de quem nunca tivemos vergonha de as ter, n�s sempre acreditamos no que elas nos diziam. Da� que a palavra de um preto ou de um branco t�m a mesma aceita��o. De modos que tanto devo acreditar na testemunha de 8 anos que � branca como tamb�m acreditaria na  de algu�m preto que tivesse presenciado o tal acontecimento.

Um abra�o.

Julinho

 


Registei com interesse o depoimento do Fernando Gil sobre Macomia. Tenho estado a investigar a hist�ria da FRELIMO h� v�rios anos. A vers�o Chipande, citada atrav�s de Ian Christie, veio publicada em varias outras publica��es. Os factos contados por Chipande s�o corroborados por testemunhos orais recolhidos na zona do Chai.
Ian Christie, quaisquer as opini�es expressas pelos comentaristas, era �simpatizante� da FRELIMO mas tentava verificar os factos que usava nos seus textos....Acho que os coment�rios � probidade e seriedade do Ian Christie s�o um pouco descabidos. O livro que Gil menciona tem muitas cr�ticas a serem feitas...
Estou em viagem e portanto longe das minhas notas e arquivos. Quando voltar a casa terei acesso aos dados e penso que pod�amos voltar a discuss�o...
Mas acho importante a contribui��o de Gil e de todos os outros... A hist�ria rescreve-se. .N�o h� uma hist�ria. H� v�rias hist�rias...E n�s os historiadores registamos as que temos na m�o com os dados que temos...

Prof. Dr. Yussuf Adam, Ph. D

 

Prof. Dr. Andr� Thomashausen

Rechtsanwalt am Landgericht Frankfurt a.M.

Director: Institute of Foreign and Comparative Law

University of South Africa, P O Box 392, 0003 South Africa

e-mail: [email protected]

Tel. Office +27-12-429 8428; Mobil +27-82-778 6058

or +49-173-527 9103; Fax +27-12-667 4459

 

 

11/10/2003 MOZAMBIQUE
The Battle for Cabo Delgado

The Cabo Delgado region in the north of the country could become the stakes of various political and diplomatic battles in the coming months.

The north of Mozambique hasn't only raised the interest of the United States government, which one month ago renewed its authorization request to create military port installations in Nacala Bay. The region has also become the fiefdom of two retired generals of Maconde descent, Alberto Chipande (former minister of defense) and Lagos Lidimo (former head of military intelligence services), who are undertaking commercial and political activities there. Chipande is active in wood exploitation, and is president of the Corredor De Desenvolvimento de Nacala (CDN), a consortium of American firms that plan to renovate the Nacala rail corridor (ION 1034). The two former generals are also in the process of mobilizing the electorate of Cabo Delgado province (north of the country) in order to create political pressure to force the Frelimo (ruling party) candidate to the 2004 presidential elections, Armando Guebuza, to agree to negotiate wider autonomy for the region. The two generals are not Guebuza sympathizers, nor are they of the political orientation that he represents, and they hold him responsible for the ruling party's ?Marxist excesses? in the 1970s and 80s.

At the same time, there has been a new group of investments in the north of the country, between Nampula and Pemba: shareholders in Kambaco Investments (Kambaco means big elephant) include Adelina Mocumbi (the wife of Prime Minister Pascoal Mocumbi), leaders of the former SNASP (secret service), and Spanish investors. Kambaco created an affiliate, Kambaco Safaris, to develop cynegetic tourism. At the request of Spanish investors, the management of Kambaco Safaris was granted to a member of a well-known family of Portuguese-Mozambican hunters, the son of Adelino Serras Pires. Two years ago, Serras Pires wrote a book called Winds of Havoc (ION 937) about his detention in Mozambique in 1984-85, in which he accused the Mozambican authorities and Renamo (opposition) of destroying wildlife. The book had a certain success in circles close to the Republican Party in the United States.

On the other hand, the businessman Abdel Adjani, an Arab investor and friend of President Joaquim Chissano, who has interests in tourism in the Pemba region (north of Nacala) is less well-regarded in the United States. The American administration reportedly even considered him a ?dangerous? man. Nevertheless, the Mozambican authorities just authorized him to build a marina in Pemba Bay, close to the luxury hotel that he just inaugurated.

THE INDIAN OCEAN NEWSLETTER N� 105

 

 

BBC Servi�o em L�ngua Portuguesa

 

25 Setembro 2003  0430 TMG

 

Alberto Chipande, hoje general na reserva, foi o autor do disparo que marcou o in�cio da luta pela independ�ncia.

 

CHIPANDE: ... o primeiro grupo que entrou em Cabo Delgado, 1964, para iniciar a luta na prov�ncia de Cabo Delgado.

 

Ao mesmo tempo, foi o meu grupo que tinha essa miss�o de ir atacar Porto Am�lia, mas como as condi��es n�o foram favor�veis, calhou que no dia 25 de Setembro eu fizesse o combate em Chai. Eu fui o comandante. Precisamente pelas 20 horas do dia 25 de Setembro de 1964.

 

BBC: General, quantos elementos faziam parte do seu grupo?

 

CHIPANDE: Nesse dia, quando atac�mos, n�s �ramos um grupo de 12 pessoas que atac�mos o Posto de Chai.

 

BBC: Est�o todos vivos?

 

CHIPANDE: Alguns est�o vivos e alguns j� faleceram durante o tempo da luta armada e outros ap�s a independ�ncia.

 

BBC: Depois de terem atacado o Posto de Chai, como � que foi a retirada? O que � que aconteceu depois?

 

CHIPANDE: Quando eu disparei o primeiro tiro que atingiu ao sentinela que estava ali atr�s, que guarnecia a casa do chefe do posto, os meus colegas, um dos meus colegas abriu fogo directamente para o chefe de posto que caiu logo em frente. E come��mos ent�o o ataque. Depois do ataque, que durou aproximadamente uns minutos, eu dei o sinal de recuo e todos recu�mos. N�o perdemos nenhum do nosso lado, nem ferido, e ao mesmo tempo n�o perdemos nenhum material.

 

Continuando na averigua��o dos factos relacionados com a "verdade" da Frelimo ou do Sr. General Alberto Chipande posso nesta altura confirmar que na realidade o Administrador n�o estava na localidade. S� l� estava um pol�cia, o �nico elemento local que disparou. Mais: quem estava na varanda da casa eram duas senhoras: a esposa do Administrador e sua irm�. Adianto ser ele natural da Ilha da Madeira e ter mais tarde sido transferido do Chai para Bilibiza. O seu cozinheiro chamava-se Momade.

Mais acrescento que ontem falei com algu�m que pouco tempo antes do ataque sa�u de carro do Chai para o Monte Oliveiras (acampamento da empresa que estava a construir a estrada do Chai para Macomia) e voltou pouco depois do ataque, avisado pelo Sampaio da Sagal, e me confirmou igualmente n�o ter morrido ningu�m.

 

Compreender�o que n�o vou divulgar aqui o nome e contactos destas pessoas. Elas est�o vivas!

Quem s�o ent�o as sete pessoas que Alberto Chipande diz que morreram?

Quando e onde foi publicado que as autoridades portuguesas disseram que foi �morte por aciden�te�?

Na altura residiam no Chai os seguintes "portugueses":

- Agente do arroz

- Agente do Algod�o

- Administrador de Posto

- Adjunto

- Comerciante Ferreira

- Um comerciante indiano

- 5/6 pol�cias

isto �, menos de 20 pessoas(adultas e crian�as). Terem perecido sete seria um "massacre"!

 

Em

http://www.macua.com/chai25092003.htm

poder�o encontrar um excerto da entrevista que em 25 de Setembro passado  Alberto Chipande deu � BBC no seu programa em portugu�s para �frica e um artigo referente �s suas actividades comerciais (em ingl�s), com especial incid�ncia em Cabo Delgado, como � natural.

 

Um abra�o

Fernando Gil

 

Agora eu n�o estou a perceber muito bem onde se quer chegar com este debate. Pelo que noto, parece que est� a ser alimentado por portugueses que viveram em Mo�ambique no per�odo colonial. 
Mas eu volto a repisar - n�o vale a pena os portugueses tentarem alterar a Hist�ria de Mo�ambique referente ao per�odo colonial...� uma perca de tempo....e a justifica��o � simples: os Mo�ambicanos n�o v�o acreditar, pura e simplesmente, por a verdade estar a vir de Portugal, o pa�s colonizador.
Os Mo�ambicanos provavelmente v�o dizer: "Depois de tanta explora��o, que durou mais de 300 anos, ainda querem fazer a nossa hist�ria a maneira deles?" ....at� faz rir...
No dia 25 de Setembro n�o se celebra a morte de 5 ou 6 ou 3 portugueses...entendam bem isto...mesmo que n�o tivesse morrido ningu�m como  relata o T� Alves, que na altura tinha 8 anos e que APENAS OUVIU RAJADAS  e NAO VIU NADA, nesse dia iniciou uma luta armada de Liberta��o de um pa�s colonizado.
Tenha sido a Frelimo forte ou fraca, organizada ou desorganizada, ela iniciou a luta de liberta��o nacional no dia 25 de Setembro de 1964.
Portanto, no dia 25 de Setembro comemora-se o IN�CIO da luta armada de Liberta��o Nacional de Mo�ambique e n�o a morte de algu�m ou de
algum pol�cia Tuga.
Venham contar essa hist�ria supostamente verdadeira aos Mo�ambicanos...apare�am na comunica��o social, escrevam para os jornais Mo�ambicanos sobre isso.  Eu pessoalmente fa�o jornalismo, mas n�o sei se esses relatos teriam alguma credibilidade no povo Mo�ambicano.
Espero coment�rios!!
Um abra�o !!
Bas�lio Z. Muhate
Maputo

 

 

N�o tenho acompanhado este debate dai que se calhar algu�m j� mencionou isto, peco desculpa pela repeti��o.
Mas Fernando, se esta mesmo numa de querer provar que nada do que se diz realmente aconteceu nesse 25 de Setembro, j� existem papers de hist�ria a desenvolver esta teoria... o Michael Cahen pelo que sei defende que o Chipande n�o estava em Cabo Delgado nesse dia.  enfim, n�o me lembro exactamente o que ele contesta, tenho ideia que � a presen�a do Chipande... mas isto � f�cil confirmar quem tem interesse.
Parece-me no entanto que o facto de os "detalhes" da hist�ria da Frelimo estarem possivelmente incorrectos n�o contesta a verdade dos crimes cometidos pelo regime colonialista em Mo�ambique, nem a celebra��o da independ�ncia.
Se a inten��o � provar que a Frelimo n�o � flor que se cheire, vamos entrar num debate prolongado, sou capaz de concordar que fac��es da Frelimo n�o s�o dignas do nome que usam como partido, e que a corrup��o neste governo (e anteriores) denigre a imagem do partido libertador, mas isso n�o altera o facto hist�rico de ser a este partido que se deve a lideran�a que levou a independ�ncia e ao inicio da constru��o da na��o de Mo�ambique, da pr�pria mo�ambicanidade sem excluir uns e outros na base de ra�a, cultura, ascend�ncia ou o que for. E isso n�o � m�rito pequeno, nem � por terem contado umas hist�rias animadas sobre cenas que n�o aconteceram � que a ess�ncia da sua ac��o ser� posta em quest�o. Acho.
Resumindo, a Frelimo, frente de liberta��o, tem um papel na hist�ria de Mo�ambique que n�o vai ser rescrito, aconte�a o que acontecer, porque os factos e as consequ�ncias da sua ac��o s�o reais. O partido politico, mesmo a actividade de partido politico que j� tinha antes da independ�ncia, com quez�lias com outros partidos e militantes, isso eh outra historia. Mas n�o queira confundir os dois aspectos.

Ana Rita Brum

 

E acerca deste assunto a minha opini�o � a seguinte:
- Deixemos a Historia no seu devido lugar, qualquer revolu��o tem os seus mitos, e Mo�ambique precisa dos seus tamb�m. Ainda bem que n�o houve um massacre no Chai, portanto, vamos deixar o passado onde esta. Este pequeno exagero n�o prejudica ningu�m portanto deixem-no em paz.
Abra�o
Ruben

 

Transcrevo aqui a resposta que dei a Bas�lio Muhate noutro local:

 

"Viva

Como jornalista, o meu amigo certamente pauta a sua ac��o por relatar factos, podendo ou n�o, coment�-los ou interpret�-los.

N�o � meu fito alimentar pol�micas, mas sim e apenas repor factos que s�o hist�ricos, pela import�ncia relevante que vieram a adquirir. E um facto n�o � mais ou menos verdadeiro por ser relatado por um mo�ambicano, portugu�s ou chin�s. A sua vis�o ou interpreta��o � que poder� ser diferente.

Tamb�m n�o est� em causa o simbolismo da ac��o.

O que est� em causa � que o autor do relat�rio, ainda vivo, o reafirmasse � BBC, em 25 de Setembro passado. Est� pois em causa a credibilidade das pessoas. N�o s� a de Alberto Chipande.

Se quisesse alimentar debates seria, por exemplo, querer saber o porqu� do conte�do deste relat�rio. Mas isso fica para os historiadores. Foram na realidade dados tiros no interior de Mo�ambique, em local p�blico, testemunhado. Para qu� inventar tais mortes? 

� simplesmente esta a quest�o levantada pelo T� Alves, na minha interpreta��o.

Se fizer o favor de ir a

http://www.macua.com/chai25092003.htm

encontrar� mais desenvolvimentos acerca deste assunto."

 

Um abra�o

Fernando Gil

Parece que finalmente em Mo�ambique algu�m reconhece ningu�m ter morrido no ataque ao CHAI
ZAMBEZE - 09.09.2004
Salom�o Moyana

Ensina-nos a Hist�ria da Frelimo que no desencadeamento da Luta Armada de Liberta��o Nacional, na noite do dia 25 de Setembro de 1964, foram mortas, pelo menos, duas pessoas, nomeadamente o Chefe do Posto Administrativo Colonial de Chai e o sentinela que guarnecia a resid�ncia do Chefe do Posto.

Alberto Joaquim Chipande, o autor do primeiro tiro dado no Chai naquela noite, tem vindo a afirmar e a reafirmar o que os livros da Frelimo ensinam sobre as consequ�ncias do primeiro tiro rumo � liberta��o.

Por�m, hoje, quarenta anos depois, tudo indica que essa hist�ria do primeiro tiro n�o est� l� muito bem contada, ou, pelo menos, n�o parece haver consenso sobre as consequ�ncias desse primeiro tiro, a julgar pela recente pesquisa levada a cabo pelo ARPAC (Arquivo de Patrim�nio Cultural), institui��o do Estado subordinada ao Minist�rio da Cultura.

De acordo com essa pesquisa, baseada em 35 entrevistas a pessoas �idosas e nativas de Chai� durante o ataque dos guerrilheiros da Frente de Liberta��o de Mo�ambique �nenhuma pessoa foi morta�.

�Uma semana depois do ataque, houve sim, uma morte. Tratou-se do cunhado do Chefe do Posto que, quando regressava do rio Messalo � busca de �gua de viatura, caiu numa emboscada� , refere o documento do ARPAC citado pela �ltima edi��o do jornal �Horizonte�publicado na cidade de Pemba.

Quando esse relat�rio do ARPAC foi apresentado num semin�rio em Pemba, no passado dia 31 de Agosto, a reac��o de alguns antigos combatentes foi de previs�vel f�ria: �� uma grave ofensa hist�rica afirmar que no ataque de Chai ningu�m morreu no dia 25 de Setembro de 1964. Esse relat�rio � med�ocre e superficial pintado com aparentes cores pol�ticas contempor�neas tendentes a deturpar a verdadeira hist�ria do povo mo�ambicano�.

Dentre as 35 pessoas entrevistadas pelo ARPAC figura o ent�o cozinheiro do Chefe do Posto de Chai, identificado pelo �nico nome de Amade, o qual afirmou, igualmente, que o seu patr�o n�o morreu naquele ataque.

Independentemente das lacunas que possa ter, a pesquisa do ARPAC tem o m�rito de indagar uma �verdade absoluta�, um tab� da nossa Hist�ria. Ao trazer � ribalta novos dados que questionam a hist�ria oficial, o ARPAC est� a iniciar uma longa e penosa jornada ao passado recente, acto esse capaz de levar os mo�ambicanos mais corajosos a fazer outras e mais profundas indaga��es sobre muitas inverdades hist�ricas tidas como �verdades absolutas�.

� oportuno que as revela��es do ARPAC vieram num per�odo em que se procura reflectir sobre os �ltimos quarenta anos da nossa Hist�ria, oportunidade que os cientistas sociais mo�ambicanos deveriam aproveitar para vasculhar os arquivos coloniais a fim de constatar se no dia 25 de Sdetembro de 1964 teria morrido no Chai o respectivo chefe do Posto. Pensamos que se trata de uma verdade f�cil de constatar, uma vez que os portugueses registavam os �bitos dos seus funcion�rios p�blicos.

O que n�o podemos aceitar � passarmos a vida a ensinar factos duvidosos aos nossos filhos para, quarenta anos depois, dizermos que �parece que as coisas n�o s�o bem assim�.

Isso � uma pesada responsabilidade acad�mica mas tamb�m pol�tica de quem, deliberadamente, conta uma �Hist�ria conveniente� s� para aumentar a sua alegada heroicidade.

Factos s�o factos e n�o devem ser ficcionados. Factos devem ser recolhidos e contados como factos. Uma coisa � factos, outra coisa � a sua interpreta��o. N�o se deve dizer que algu�m morreu quando est� vivo. Nem se deve dizer que est� vivo quem morreu.

Contar a verdade dos factos n�o diminui a heroicidade nem m�rito de quem fez a luta de liberta��o nacional. Antes pelo contr�rio, a verdade engrandece o m�rito e a heroicidade dos combatentes.

Por outro lado, devemos saber reagir a novos dados hist�ricos. N�o devemos ter, sempre, uma atitude corporativa e clubista de que quem conta uma vers�o diferente � porque �visa deturpar a hist�ria do povo mo�ambicano�, como se tal Hist�ria fosse um conjunto de dogmas imut�veis. A Hist�ria, seja ela do povo mo�ambicano ou do povo chin�s, � uma constru��o social permanente e nunca uma coisa acabada e fechada, propriedade de um clube dos bem entendidos. A Hist�ria � propriedade do povo e � o povo que est� a dizer que no Chai n�o morreu ningu�m no dia 25 de Setembro de 1964, o que p�e em causa a vers�o �conveniente� que foi difundida ao longo dos �ltimos quarenta anos.

Qual � o papel e a fun��o daqueles doutores em Hist�ria que est�o no Minist�rio dos Antigos Combatentes? Arranjar argumentos �cient�ficos�para validar convic��es individuais de cada dirigente que conta a �sua hist�ria de liberta��o nacional�? Ou questionar, analisar criticamente e sistematizar os dados hist�ricos factuais sobre o processo de liberta��o nacional?

J� o livro sobre Uria Simango, baseado em entrevistas de alguns combatentes ainda vivos, constitui uma dura bofetada na cara dos nossos historiadores da liberta��o nacional, os quais antes deste livro nunca disseram que Uria Simango n�o foi aquilo que se dizia que tinha sido.

Acreditamos que os novos dados sobre o Chai venham a catalizar um necess�rio debate p�blico com vista a encontrarmos a verdade sobre a nossa Hist�ria. Isso � t�o necess�rio quanto urgente para que da longa desinforma��o passemos � informa��o correcta aos cidad�os a fim de os capacitar a participar conscientemente no processo p�blico de tomada de decis�es.

Esse � o objectivo supremo do sistema democr�tico!

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Ou�a a descri��o, pelo voz de Alberto Chipande, do ataque ao Posto do Chai, em

http://www.macua.org/temp/chaichipande.html

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���� Lisboa, 07.12.2004

���� Guilherme de Melo, jornalista, durante mais de duas d�cadas em Mo�ambique, publicou em 1985 �MO�AMBIQUE � DEZ ANOS DEPOIS�, relato da viagem que ali fizera pouco tempo antes e de que s� hoje obtive um exemplar.

���� Guilherme de Melo foi um dos jornalistas que esteve no Chai pouco tempo depois do ataque.

���� Estando mais que comprovado que a hist�ria contada e encomendada pela Frelimo n�o � a verdadeira, porque voltou Guilherme de Melo a escrever o que adiante ides ler e o que levou o cozinheiro do ent�o administrador a inventar a �hist�ria� que conta e � ali reproduzida?

���� Sabemos que ele retornou a Mo�ambique, especialmente para assistir �s comemora��es dos 20 anos do ataque ao Chai, a convite de M�rio Ferro e Alves Gomes do �Not�cias� de Maputo. Ter� sido por isso?

���� Aqui vai a transcri��o:

 

EVOCA��O DO CHAI

No tro�o da estrada que vai de Macomia a Mueda, em pleno cora��o do interior mo�ambicano � o planalto dos Macondes � h�, ainda hoje, duas pontes em bet�o com os tabuleiros destru�dos. Uma situa-se no tro�o entre Macomia e Chai; a outra para l� do Chai, sobre o rio Mapwede.

Foram ambas destru�das pelos guerrilheiros, durante a luta armada para a independ�ncia, com o prop�sito de cortar o avan�o das tropas motorizadas portuguesas.

Cumpre referir que, no decorrer da guerra, a Frelimo evitou sempre a destrui��o de infra-estruturas de grande envergadura � como pontes, barragens, centrais � exac�tamente na mira do dia em que, mais tarde ou mais cedo, tudo lhe viesse parar �s m�os.

Dez anos decorridos sobre a independ�ncia, as duas pontes continuam tal como ficaram depois de dinamita�das: o Governo mo�ambicano deixou-as propositadamente assim, � laia de um curioso museu de guerra um pouco disperso por todo o pa�s. Ao lado dos dois tabuleiros semi-destru�dos, existem agora duas outras pontes, por onde o tr�nsito se processa.

����� Vinte anos depois do primeiro ataque a uma autori�dade colonial � concretamente, o posto administrativo do Chai� � poss�vel reconstituir-se todo o background da raz�o de ser dessa guerra de dez anos que, ainda hoje, muitos dos brancos que viviam na antiga col�nia, e dela sa�ram ap�s o 25 de Abril, se recusam a querer entender. Estou no Maputo quando se comemora aquela data e peso, palavra por palavra, os depoimentos dos que ent�o viveram directamente os acontecimentos que muitos desses mesmos brancos �e eu pr�prio� de todo ignoravam, envoltos no remanso doirado que era o dia-a-dia na ex-Louren�o Marques.

O primeiro tiro

O lugar escolhido pela Frelimo para o ataque que marcou o desencadear da luta armada de liberta��o da ex-col�nia foi, como se disse, o posto administrativo do Chai.

Tratava-se de uma pequena localidade do interior de Cabo Delgado, com pouco mais de meia d�zia de edif�cios. Nomeadamente, uma secretaria, a casa do chefe do Posto, a casa do gerente da Companhia Algodoeira do Sagal, dois estabelecimentos comerciais, um pequeno hospital, a cadeia, as casernas dos soldados e as resid�ncias dos pol�cias brancos e dos cipaios negros.

No dia do ataque havia uma festa em casa do admi�nistrador do Posto, porque um dos seus tr�s filhos fazia anos � recorda, vinte anos depois, Ahmad Sique Burahimo, ao tempo a servir, como cozinheiro, no Posto admi�nistrativo. E acrescenta: O administrador era muito mau para a popula��o. Al�m de roubar cabritos, galinhas e outros bens que mandava que os cipaios recolhessem nas aldeias e trouxessem para o Posto, espancava brutalmente a popula��o e tinha grande prazer em dar ele pr�prio palmatoadas.

���� A dado momento da festa, segundo o relato do ent�o cozinheiro, chegou ao Posto o r�gulo da povoa��o de Malane � actualmente Litandakua � comunicando ao admi�nistrador que tinha avistado nesse dia pegadas estranhas� numa picada da sua zona.

Imediatamente o administrador se meteu no jipe acom�panhado pelo r�gulo, dois pol�cias e um c�o-pol�cia, seguin�do, mato adentro, para o local. Era j� noite avan�ada quando regressaram e, em casa, a festa do anivers�rio terminava.

Acompanhado p�los dois pol�cias e pelo c�o, o admi�nistrador dirigiu-se directamente para a Secretaria da Administra��o � continua a contar. Mas, ainda com o mo�tor do carro a trabalhar, ouviu-se de repente uma des�carga de tiros. Ele saiu do carro a correr, em direc��o � resid�ncia, onde tinham ficado a mulher e os filhos. J� � entrada da casa, o administrador foi atingido com dois tiros no peito e caiu, ensopado em sangue.

Ahmad Burahimo ainda se recorda de ter visto, quando o tiroteio cessou, dois pol�cias, a mulher do administrador e o gerente da Sagal a carregarem o ferido para o interior da resid�ncia. Esvaindo-se em sangue, ele permaneceu no Posto, agonizante, o resto da noite e s� na manh� seguinte foi transportado para a ent�o Porto Am�lia � hoje cidade de Pemba� onde veio a falecer.

Entretanto, quando eu estava a sair da cozinha pelas escadas traseiras, para me esconder no quintal, mal come�cei a ouvir o tiroteio, um tiro apanhou-me na perna, perto do joelho, e ca�, rebolando pelas escadas abaixo. J� no ch�o, rastejei uns vinte metros e escondi-me atr�s da man�gueira do quintal. Foi da� que avistei um pol�cia a ser atin�gido por um tiro a meio da testa e cair morto. Um outro pol�cia, escondido entre o muro do quintal e uma casa, tamb�m recebeu um tiro e morreu logo, quando estava a erguer a cabe�a para apontar a sua arma.

����� Quando o breve combate terminou, os guerrilheiros abandonaram o terreno, deixando dois pol�cias mortos, o c�o-pol�cia tamb�m abatido, o administrador do Posto moribundo e v�rios feridos, entre os cipaios e o pessoal auxiliar da Administra��o.

Comandava o pequeno grupo que acabava de iniciar a luta armada que dez anos depois levaria � independ�ncia, um homem de trinta e poucos anos chamado Alberto Joaquim Chipande. �, hoje, o ministro da Defesa Nacional da Rep�blica Popular de Mo�ambique e dirigente da pro�v�ncia de Cabo Delgado. General do Ex�rcito.

A repress�o

Depois disto, vieram para o Posto de Chai um novo administrador e um seu adjunto � continua Ahmad Bura-himo a contar. E diz, concretamente, os nomes de um e de outro. E s� por uma quest�o de pudor e de vergonha, como portugu�s e branco, me escuso, aqui, a referi-los.

Dos dois, o adjunto era o pior. Era extremamente cruel. Logo ap�s a sua chegada come�ou a matar gente. Com o pretexto de que estava a �limpar terroristas�, como dizia, enforcava pessoas e deixava-as penduradas nas mangueiras. As vezes cortava as cabe�as e deixava-as espetadas em esta�cas, para todos verem. Num s� dia, em plena Secretaria da Administra��o, matou com as suas m�os cinco pessoas. Ele fazia coisas horr�veis. Um dia vi-o espetar um prego na cabe�a de um homem. Martelava e enterrava o prego todo na cabe�a, depois mandava a pessoa ir para casa. � claro que essa pessoa nem dava cinco passos. Ca�a e morria logo.

����� Ahmad Burahimo continuou a trabalhar ainda durante alguns anos no Posto. A verdade, por�m, � que o ataque conduzido pela Frelimo lhe tinha j� suscitado diversas d�vidas sobre a legitimidade do poder colonial � d�vidas essas que rapidamente se adensaram face �s barbaridades cometidas pelo adjunto do novo Administrador que, de resto, o n�o poupava nas suas f�rias. Um dia come�ou a amea�ar-me que tamb�m a minha vez chegaria. �Corto-te o pesco�o, ol� se corto! E que lindos petiscos tu vais fazer com a tua pr�pria cabe�a!�

Com o pretexto de que pretendia visitar uns familiares distantes, pediu licen�a para se ausentar por algum tempo e acabou por se desligar dos quadros do pessoal da Admi�nistra��o, ingressando pouco depois nas fileiras da Frelimo. Passou ent�o a ser um importante �contacto� da Organiza��o naquela zona de Cabo Delgado, tornando-se respons�vel pela distribui��o de cart�es de membro a novos aderentes e desenvolvendo miss�es de recrutamento de jovens para a luta armada. Com o objectivo de camu�flar tudo isto aos olhos, sempre desconfiados, n�o s� das autoridades do Posto como dos agentes da PIDE, Ahmad Burahimo adquiriu um pequeno barco com o qual passou a pescar no lago do Chai.

A vila-museu

Vinte anos volvidos sobre tudo isto, o Governo mo�am�bicano transformou o Chai no museu hist�rico da Revo�lu��o mo�ambicana.

Independentemente do monumento que vai ser erguido, defronte de um gigantesco mural alusivo ao arranque da luta armada, toda a povoa��o propriamente dita foi con�servada intacta, tal como era na altura do ataque de 25 de Setembro de 1964. Inclusive o mobili�rio e demais recheio das casas da Administra��o mant�m-se, sem qual�quer altera��o.

Uma das casas foi, entretanto, transformada em museu das primeiras armas � entre as quais a que Chipande uti�lizou naquele dia e por ele pr�prio ali entregue, aquando do 20.� anivers�rio do acontecimento que marcaria o in�cio do fim de uma era.

Vinte anos depois, o tempo foi descendo o seu v�u de esquecimento. No pa�s novo, h� dez anos independente, apagam-se os ressentimentos, diluem-se as recorda��es dolorosas de uma repress�o temperada em sangue, de uma guerra pontuada de horrores. N�o h� mais, no planalto Maconde, o estremecer das explos�es. E os xericos vol�taram a trilar por todo o vale do Miteda, onde a N� G�rdio chamejou. Mo�ambicanos e portugueses podem, enfim, olhar-se como irm�os.

Penso naquele grupo que, n�o h� muitos anos ainda� se propunha levar a tribunal os respons�veis pela descoloniza��o. E se um dia os mo�ambicanos reclamassem um outro Nuremberga, para julgar os crimes do colonialismo e levassem at� ele, a depor, os muitos Burahirnos que ainda existem por todo o pa�s?

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Aproveito para copiar o que, em 23 de Setembro passado, escrevi no Mo�ambique na Web Jornal:

O Chefe do Posto � data do ataque  chamava-se Felgueiras e estava com a fam�lia l�. Na hora do ataque n�o estava no posto pois tinha ido ao Messalo com 2 pol�cias e v�rios cipais. S� ficou no posto um pol�cia branco e v�rios cipais. Tamb�m l� moravam funcion�rios do posto, o Pinheiro e o Brand�o, mais a fam�lia Alves. O enfermeiro chamava-se Tivane. O Cozinheiro era o Amade.

O Felgueiras pediu ao Governador para sair e foi temporariamente substitu�-lo o Dias  de Macomia. Talvez uma semana depois foi o Fonseca l� colocado que levou a mulher. Vindo de Portugal estava com eles o cunhado deste que foi quem, n�o uma semana, mas cerca de 3 semanas depois, foi morto quando passava junto ao Rio Messalo vindo do Monte Oliveiras. Vinham 3 pessoas no Jeep e ele ia no meio. As outras duas nada apanharam e ele levou um tiro entre os olhos, vindo a falecer j� depois de evacuado.

Assim n�o foi o cunhado do Chefe do Posto da altura que foi morto, mas o cunhado do que o veio substituir.

������������������������������������������������������������������������������������������� Fernando Gil

 

 

-A continuar�

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